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Por dentro do Pop: Madonna

22.6.12Igraínne


Quarto dia do Por dentro do Popdessa vez com a Madonna! Não tinha como deixar de fora a rainha do pop (será que ainda é rainha?) , ainda mais sendo dona de incríveis DOZE discos que mais refletem moda temporal do que qualquer outra coisa. Lançados em décadas completamente diferentes, deu até pra recapitular tudo que um dia foi considerado pop: desde anos 80 até hoje. Fora que algumas coisas nunca saem de moda - e outras sempre acabam voltando. Apesar de a gente não ver os cabelos volumosos, nem tanto gel assim, ainda dá pra identificar algumas coisinhas mínimas, como a combinação de cores - que tem retornado ao colorido e ao clássico preto e branco para gerar uma onda mais vintage. Na música, embora haja uma evolução gritante, também dá para perceber as influências que jamais deixarão de estar presentes nos álbuns da Madonna. Afinal, convenhamos, Madonna lançou moda.  

A Madonna é considerada a rainha do pop, e isso não é a toa. Embora seu império esteja sob olhares de suspeita, principalmente com a quantidade de gente boa que vem aparecendo por aí, ainda não dá pra falar de Pop sem falar dela. Já fez parceria com tanta gente legal que não dá nem pra contar. Desde a própria Britney, até Nicki Minaj, passando pelo Timbaland e pelo Justin Timberlake... Aliás, foi ela que deu o pontapé inicial na carreira da Katy Perry ao dizer que gostou da música "Ur So Gay" (todo mundo foi ver wtf era Katy Perry).


Esquecendo um pouco as polêmicas que envolveram seu nome - incluindo seu recente namoro com o brasileiro Jesus Luz, vamos falar das músicas. A Madonna começou bem cedo, e na verdade sua carreira era voltada, de início, para a dança. Ela já tem mais de 50 anos e é dona de um corpo que qualquer uma gostaria de ter na idade dela. Com essa vida toda de dançarina, dá pra entender por que ela adora colocar aqueles colãs para fazer clipe....
DICA: Corre lá no final do post, baixa a mixtape e escute lendo! Eu (Dana) li esse post escrito pela Igra assim e foi bem legal. :)
Madonna (1983)
O mais legal desse álbum é que ele foi lançado originalmente com apenas oito faixas. Em 2001, uma nova versão dele saiu e dessa vez havia 10 faixas, o que não diferencia muito, porque as duas músicas adicionadas são versões alternativas de duas canções que já estavam no disco. Para quem curte anos 80, bem na íntegra mesmo, é legal dar uma chance ao disco. "I know it" parece música de lanchonete que vende milk shake - bem o que era point na época. Embora os primeiros álbuns sempre pareçam mais lineares que todos os outros, principalmente porque o artista muitas vezes tem medo da desaprovação do público, curti bastante "Think of Me", é a música que mais tem cara de Madonna ali. O que é curioso é que essas são as únicas canções completamente ignoradas no álbum. Todas as outras viraram singles, o que não é muita coisa, considerando que a Madonna trabalhou com o disco por bastante tempo e só tem 8 faixas.
Curiosidade: a Madonna tinha 25 anos quando esse álbum saiu, provavelmente a que mais demorou a lançar um álbum aqui. A diferença de época com certeza afetou isso.
(1984) Like a Virgin 
Outro disco com um número de faixas fora do convencional - pelo menos pra hoje em dia. Com 10 músicas, apenas três não foram lançadas como singles, e a Madonna ainda repetiu o feito com o álbum anterior: lançou mais tarde uma nova versão do CD com mais duas músicas que na verdade eram versões alternativas de duas outras que já estavam lá. Dentre as que não viraram singles, a que eu mais gostei foi "Stay", que me pareceu ser a que tem mais um estilo próprio. "Shoo-Bee-Doo" é bem lentinha no início e me lembrou meio sonho adolescente, algo mais no estilo festa de debutante. "Pretender", por outro lado, me pareceu muito semelhante à música que deu nome ao disco, "Like a Virgin". Depois de tanto Por dentro do Pop, cheguei à conclusão de que esse tipo de coisa sempre acaba acontecendo: as músicas de um mesmo CD tendem a se parecer umas com as outras, porque seguem a mesma linha. 

True Blue (1986)
É o primeiro disco em que a Madonna participa da composição de todas as músicas gravadas. Todas. Nove canções - um hábito comum lançar álbum de poucas faixas... - e dessa vez cinco singles. Confesso que esse é o álbum que marca o início de uma mudança no estilo. Embora ainda estejamos nos anos dourados, a música "White Heat" me fez pensar em festinha de arromba, o que por si só já é surpreendente. Se antes a gente estava nos 15 anos, agora paramos na formatura. Ironicamente, uma outra música que merece destaque se chama "Where's the Party": tem uma batida gradual que destaca bem a voz da Madonna. "Jimmy Jimmy", no entanto, parece ser uma música perdida, segue muito o estilo lanchonete, o que não é ruim, mas de certa forma é repetitivo. "Love Makes the World Go Round", por fim, é a trilha sonora do par da festa de formatura. Porque sempre tem que ter um par pra ir nessas ocasiões. 

(1989) Like a Prayer
Lançado no final dos anos 80, você imagina que é o tipo de CD que faria uma transição para a década mais rock'n roll, mas não consegui encontrar muitas influências nesse estilo. Apenas uma música me fez pensar nisso, e é a "Act Of Contrition", que pra mim é a música mais incrível do disco inteiro. Não sei como ela não lançou como single. E, embora a Madonna seja pop, sempre achei que ela tinha uma pegada que nunca saiu dos anos dourados - até nessa música consigo ver isso, o que é meio louco, porque o solo de guitarra me fez ficar confusa - para dizer o mínimo. Inclusive hoje, com os novos CDs, dá pra ver esse tipo de influência. Na verdade, esse álbum parece na verdade um disco meio perdido em estilo, quase um pré-estouro para o que viria depois.  "Till Death Do Us Part" segue bem essa coisa de anos 80, mas já podemos ouvir uma batida tímida no fundo que indica as possíveis mudanças. Embora seja quase imperceptível, o ritmo destoante de "Promise to Try" me chamou muito a atenção. Não porque é lenta, mas porque você não consegue identificar direito o que exatamente é: por um lado é meio música de casamento, por outro, Madonna jamais se encaixaria como música de casamento.... 

Erotica (1992)
São incríveis 14 músicas e apenas 5 singles. Não entendi a conta, mas Madonna - só pelo nome do disco - já começou com polêmica. Um mês depois do lançamento, ela começou a vender um livro de 128 páginas chamado "Sex", cujo conteúdo dispensa explicações. Segundo a Madonna, o público subestimou o disco em decorrência do lançamento do livro, o que por si só já é meio que uma desculpa em torno de toda a atenção indevida na época... Não que Madonna seja do tipo que pede desculpas por coisas assim, mas de qualquer forma, músicas que poderiam ter sido aproveitadas não receberam atenção. Isso aconteceu com "Thief Of Hearts" que é basicamente a ponte para o estilo agora já abandonado quase que totalmente: linha lanchonete/festa de quinze anos. "Words" também é muito boa, e é legal porque segue um princípio meio próprio, com a batida que se repete no fundo. Outra que achei ótima é "Waiting", porque meio que resume o disco em uma única música: tem aquela pegada singular com pitada de "erotica" e ainda é sem dúvida música da Madonna.

(1994) Bedtime Stories
É um dos álbuns que eu menos gosto. Aqui a batida muda muito. Em comparação com os discos anteriores, temos uma coisa mais calma - mas também mais singular. "Survival" tem uma pegada meio JLo que eu achei genial. Bem capaz que a introdução dessa música tenha inspirado muita gente por aí... "Inside of Me", por outro lado, parece ter sido a promessa que "erotica" não conseguiu cumprir. Por fim, "Don't Stop" segue a mesma linha familiar que senti com "Survival", mas é a música onde a voz da Madonna está mais visível.

Ray of Light (1998)
É um dos discos - diferentemente de Bedtime Stories - que eu mais gosto, isso porque acho tudo muito diferente, principalmente pela ideia de que ninguém fazia nada nesse estilo na época. "Swim" alcança o mesmo formato do single "Frozen", e embora estejam na mesma sintonia, consegui ver uma coisa individual que eu simplesmente achei maravilhosa. As músicas são parecidas, mas ao mesmo tempo não é difícil diferenciá-las. Tendo um som bem alternativo, "Sky Fits Heaven" foi uma boa surpresa, porque é quase anos 2000, principalmente se você ouvir o batidão que rola sob a voz da Madonna durante a música inteira, assim como "To Have And Not To Hold".

(2000) Music
Se antes a onda era alternativa, agora a coisa fica na mistura do pop com o country. Sinto que estou numa boate quando ouço "Runaway Love". É tão party hard que por um segundo não entendi por que a capa do disco tem um lance meio rodeio. Porém, depois que ouvi "I Deserve It" entendi a coisa do chapéu de cowboy - e gostei bastante, embora eu não curta esse tipo de som. Na verdade, eu adorei essa música, é uma das minhas favoritas do álbum inteiro. Isso porque é country, mas também é pop. "Amazing" é outra que eu simplesmente amei, assim como "Gone", que é uma das únicas sem grandes introduções.

American Life (2003)
Aqui você imagina que a Madonna que canta "I'm so Stupid" é uma Madonna completamente diferente de "Like a Virgin". E é. Essa música parece grito de guerra - e isso não é ruim, na verdade achei muito boa. É um estilo meio pré Gwen Stefani, e eu achei simplesmente genial. Outra que eu gostei muito foi "Intervention", que é lenta, mas consegue ser contagiante, de alguma forma louca. É quase um acústico, só que de um jeito novo. O mesmo acontece com "X-Static Process". Uma que destoa do disco inteiro é "Mother and Father" que tem uma coisa meio videogame que consegue extrapolar praticamente todas as músicas do CD.

(2005) Confessions on a Dance Floor
Lançado em 2005, é a música do videogame no outro disco se expandindo por um álbum inteiro. Simplesmente não dá pra ficar parado ouvindo uma única música aqui. "I Love New York" tem umas repetições colocadas a dedo, como se a música tivesse sido planejada cuidadosamente. "Let It Will Be" possui a melhor introdução que eu já escutei nas músicas da Madonna. Não sei como essa música não virou um single. Aliás, o que é curioso nesse álbum é que ele e o "Bedtime Stories" têm, na mesma faixa sete, uma música com o mesmo nome: "Forbidden Love", embora sejam músicas diferentes, e não versões distintas. "Isaac", por outro lado, tem um lado meio árabe que me lembrou a Shakira. É uma das melhores de todo o disco, particularmente falando. "Push" e "Like It Or Not" conseguem ser tão boas quanto, não sei como o CD inteiro não virou um recorde de singles...

Hard Candy (2008)
O legal desse disco é que eu consigo ver - de novo - a ideia dos anos 80. "Candy Shop" é um exemplo claro disso, e "She's Not Me" também. "Heartbeat", no entanto, segue uma linha meio hip hop que eu curti bastante. "Dance 2night" é a música em parceria com o Justin Timberlake que não virou single, diferente de "4 minutes". Infestado de participações e estilos muito destoantes, esse disco viaja em mundos absurdos, o que acaba deixando tudo muito rico. Isso acontece com a música "Spanish Lesson", que pra mim é que mais demonstra a mistura. A coisa viaja entre hip hop, pop, eletrônica e música latina. E não erra.

(2012) MDNA
Lançado esse ano, o disco possui ainda poucos singles. Considerando que a variedade das músicas dá margem para muitas possibilidades, o estilo todo pode ser quase um estereótipo do pop. Não dá pra fugir muito disso. "Gang Bang" parece contar uma história de guerra só com a batida, e mais uma vez vejo os anos 80 passeando, dessa vez com "Turn Up the Radio", onde até a voz da Madonna parece ter voltado vinte anos. "I Don't Give A" é, assim como a "Dance 2night" no outro disco, a música de parceria que não virou single. Dessa vez temos a Nicki Minaj em vez do Justin. "Love Spent", no entanto, leva o prêmio de música mais inovadora do CD; não sei se imaginei, mas juro ter identificado uma tímida batida de funk na música, o som é batidão demais para ser só pop. Por fim, "Falling Free" tem umas passagens que é quase conto de fadas. Um resgate da onda alternativa de "Frozen" talvez.

A impressão que eu tenho é que o estilo das músicas da Madonna acabam acompanhando não o que está na moda - pelo menos não integralmente (até porque ela lança moda) - mas sim seu estado de espírito, como humor ou o que ela está passando no momento. É claro que há coisas que não dá pra negar, como a pegada eletrônica no início do anos 2000 e a inegável batida mais *lanchonete* do início, mas de qualquer forma acho que a Madonna conseguiu guardar um pouco dela desde o princípio. Prova disso é que conseguimos perceber a coisa anos 80 até agora.

O legal é que mostra bem o que eu quis dizer com o Por dentro do Pop: você pode ouvir Like a Virgin e saber que - para o caso de você não gostar dessa música - o estilo mudou totalmente. Muita coisa melhorou e acho que a Madonna consegue ser bem versátil nesse sentido. Com tantos CDs, você vai acabar gostando de alguma música.

Infelizmente, com a quantidade de discos, fica complicado fazer uma lista onde só estejam as melhores. Eu achei muita coisa boa e fiquei na dúvida com várias, mas consegui montar algo bem legal. Você pode pegar a mixtape do Por dentro do Pop 4 aqui, a senha do arquivo é o nome desse tumblr (viktor215).
1. Think of Me
2. Stay
3. White Heat
4. Act of Contrition
5. Waiting
6. Survival
7. To Have And Not To Hold
8. I Deserve It
9. Amazing
10. I'm So Stupid
11. Intervention
12. Isaac
13. Spanish Lesson
14. Love Spent

Esse já é o quarto Por dentro do Pop! Clica aqui para ver os outros três com a Katy Perry, Rihanna e Britney Spears. Só falta mais um. Alguém quer chutar quem vai ser a próxima?

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5 comentários

  1. Olá o/

    Esse Por Dentro ficou ótimo, como todos os outros. Só pra constar, kdfhklh. Bem, eu não conheço quase nada de Madonna... fora alguns singles, não gosto de muitas músicas. Mas tenho algumas preferidas, que são "Miles Away", "4 Minutes", "Like a Virgin" e "Give Me All Your Luvin'" (só tem esses singles chiclete, eu sei... não conheço a Madonna direito gente ): me apedrejem)

    Baixei a playlist de vocês e estou ouvindo agora (por isso não vou comentar ainda fkjsdghkjfh), mas pelo que eu já ouvi, está muito boa u.u Adoro escutar não-singles :B

    Ah, e quem será a última cantora do PDDP? *o* Beyoncé? Shakira? Adele? Avril? GAGAAA -q ? São tantas possibilidades... Espero, como eu disse em outro post, que seja uma artista que eu conheça bem para que eu possa fazer um comentário decente (o que, aliás, não aconteceu nesse post)....

    Enfim...! Parabéns pelo trabalho com a análise de todas as músicas de todas as artista. Ficou tudo ótimo até agora, sério... Continuem assim (:

    Abraços o/

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    1. Olá, João!

      A gente fica muito feliz que tenha gostado do post, deu trabalho pra fazer.. auhsuhaush. A Madonna é bem *diversos tipos de pop*, espero que tenha gostado da nossa listinha, tem pra todos os gostos. :D

      Nossa próxima sexta é surpresa! Mas já estamos com tudo confirmadinho! Vai ser bem legal! *-*

      Beijos!

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  2. Sou muito fã da Madonna. Acho muito interessante as personas diferentes que ela incorpora em cada álbum. Por curiosidade, fiquei fã mesmo quando ela lançou o Erotica. Daí pra frente gosto de muitas músicas e de quase todos os álbuns e curto muito a fase eletrônica dela, em especial com as parcerias que ela fez com Timbaland, Paul Oakenfold e Benny Bennassi.

    Acho que a Madonna tem algo único que por mais que estejam aparecendo cantoras no mesmo segmento, elas ainda não conseguiram bater. A Lady Gaga só tem aquele visual gritante, mas tirando isso, ela não tem muito para onde ir. A Madonna, por sua vez, interpreta, ela dá uma temática única a cada disco, o que faz com que ela sempre se renove em cada álbum.

    Acho que não vão tirar o título dela de rainha do pop, pois ela praticamente alimentou toda essa geração de cantoras do estilo. Polêmica, atirada, mutante, acho que são palavras muito boas para descrever a Madonna.

    Ótimo post, abraço!

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  3. ótimo artigo! conheço pouquíssimo da carreira dela, baixarei essas recomendadas.

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  4. Sou "Geração Madona". Ela brilhou desde o início. Adorei o post!!! Nostalgia total! bjs

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