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[Resenha] Terrível Encanto, de Melissa Marr

18.4.12Igraínne

por Igraínne Marques
- Livro: Terrível Encanto
- Série: Wicked Lovely #1
- Próximo: "Tinta Perigosa", cuja capa já foi liberada pela editora.
- Autora: Melissa Marr
- Editora: Rocco
- No skoob









Sinopse: 
A capa é bem bonita, e diferente do que muita gente pensou, a imagem remete a uma flor, não a um coral (ou algo do gênero). O livro conta a história de Aislinn, uma menina que tem o dom de ver e ouvir seres encantados (isso inclui criaturas boas e ruins). Algumas dessas criaturas são minúsculas, outras são capazes de manter uma forma humana por tempo indeterminado, tamanho seu poder. A única coisa que Aislinn sabe é: jamais se deve falar, encarar ou despertar a atenção de  qualquer ser encantado que esteja por perto. Contudo, quando uma criatura visivelmente mais poderosa - e mais bonita - que as demais cruza seu caminho, Aislinn se vê diante de uma situação sem saída. Não há como fugir do que a persegue sem descanso.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Em primeiro lugar, a coisa que mais me chamou a atenção nesse livro foi o fato de que a capa é realmente muito linda e - sim! - corresponde à história em sua integridade. Quanto ao segundo volume, "Tinta Perigosa", não sei dizer. A editora acaba de lançar a continuação e ainda não tive a oportunidade de saber mais a respeito. Ao todo, serão 5 livros. E não, não é necessariamente uma continuação. Pelo que eu pesquisei, tratam-se de histórias envolvendo - muitas vezes - os mesmos personagens, mas com protagonistas alternados. Portanto, podemos não ter Aislinn no foco do segundo livro.

Já que estamos falando dela, posso começar dizendo que Aislinn é uma menina independente. Isso sempre me agradou em personagens femininos, principalmente pelo fato de a maioria me parecer tão superficial hoje em dia. Aparentemente, o dom de Ash (como em geral é chamada) sobre o mundo "invisível" dos seres encantados é algo genético: ela herdou o talento - ou maldição - da avó, que é com quem vive atualmente. Sendo uma mulher altamente protetora, sua avó sempre lhe ensinou as três regras inquestionáveis já mencionadas: "Não encare os seres encantados invisíveis; Não fale com os seres encantados invisíveis; Nunca desperte a atenção deles".

Como era de se esperar, as regras são fáceis de seguir enquanto os tais seres encantados não  notam que ela pode notá-los. E, apesar do que a maioria das meninas faria diante de Keenan, um garoto irrevogavelmente bonito - e poderoso -, Aislinn ainda assim tenta seguir as regras. Posso dizer que ela tenta com afinco. Bastante afinco. Talvez tenha sido o fato de que ela acredita que todos os seres encantados são do mal. Sem exceção alguma. Sua generalização acaba por salvá-la em certos momentos. A única coisa de que ela pode ter certeza é que tais criaturas são vulneráveis ao ferro. É aí que entra Seth.

Seth, a outra ponta do triângulo amoroso - que mais me parece um quadrado amoroso (já vamos chegar nisso), mora convenientemente num vagão de trem. E mora sozinho, é bom marcar esse fato. Seth é tudo o que os outros mocinhos dos livros não são. E quando digo tudo, quero dizer tudo. Ele tem atitude, possui uma personalidade incrivelmente notável e ainda têm piercings que dão aquela aparência à lá Lisbeth Salander versão masculina (se você não sabe quem é a Lisbeth, leia a resenha da Dana aqui). Apesar disso tudo, mesmo com a ideia de cretino que ele passa, não acho que alguém consiga vê-lo como um cretino. É exatamente por isso que é genial: ele vai contra tudo aquilo que é esperado a seu respeito. Sem parecer maravilhoso em excesso.

Keenan, por outro lado, é obviamente um cara meio encantado demais. Sendo da corte, consegue suportar o ferro por bem mais tempo que as outras criaturas. Ele é o Rei do Verão, o herdeiro do trono que atualmente está sob a controle de sua mãe, a Rainha do Inverno. Há muitos anos o poder tem estado nas mãos dela, e para que Keenan tome posse do que em outros tempos foi o trono de se pai, precisa achar a dita "Rainha do Verão". Keenan a tem procurado por muito e muito tempo, sem sucesso. Tentou com diversas meninas, mas nenhuma delas pareceu ser "A" escolhida. Ou isso ou então não eram capazes o suficiente para se submeter ao teste que determina se você é ou não "A" escolhida. O teste aplicado contém um risco: se você for de fato a Rainha do Verão, será (obviamente) agraciada com todo o calor presente no verão. Se não for, será condenada com o frio do Inverno por toda a eternidade, até que outra menina se submeta ao teste novamente. E como se isso não bastasse, a menina condenada a esse Inverno sem fim ainda é obrigada a conviver com Keenan e avisar à próxima candidata sobre ele: sobre as mentiras que ele pode vir a contar para tentar convencer a nova garota a fazer o teste.

Donia, nossa última parte do quadrilátero amoroso, está na posição de Garota do Inverno há mais tempo do que gostaria. Pior do que isso: ela não consegue esquecer Keenan. Vendo-o com frequência, sendo obrigada a desencorajar qualquer candidata a Rainha do Verão que aparece, ela começa a questionar o fato de que talvez seja melhor que alguém se arrisque logo para que ela se livre do sofrimento. Sofrer para ela é muito mais do que a simples visão de Keenan com outra; é o fato de que ela não pode tocá-lo. Gelo e Fogo não se misturam sem que haja consequências. De um modo geral, Donia consegue ser uma personagem muito bem construída, se levarmos em conta a quantidade de conflitos internos e contradições que a rondam. Depois de Seth, foi quem mais me cativou no livro todo, por me parecer tão... humana, apesar de tudo.

O modo como a autora trata toda a história, no entanto, me incomodou. Diante dos acontecimentos, Aislinn começa a se deparar com situações aterradoras. Algumas partes ficaram confusas ou mal descritas, e senti falta de uma explicação maior em relação ao que rege todo o regime de tronos. Em alguns pontos, principalmente os que tratam de Ash e Seth, a narração corre livre, é algo natural. O mesmo ocorre com Donia e sua visão acerca do que acontece a sua volta. Contudo, na maior parte das vezes, me pareceu uma leitura superficial, rápida demais e com poucos detalhes. Isso ocorre principalmente na passagem final, o que é uma pena. O desfecho é muito bom, mas não foi - claramente - trabalhado adequadamente. Sem querer ser mais drástica, posso dizer que a essência desse mesmo final me agradou bastante. Porque foge do esperado.

Sobre a nota: pensei seriamente em dar um três. Porém, posso dizer que, de muitas formas - talvez de todas as formas - Seth e Donia valeram pelo livro todo. A excentricidade de Seth e a humanidade paradoxal de Donia me encantaram. O que é, no mínimo, irônico, uma vez que é um livro sobre seres encantados.

Classificação:
(4/5 conversinhas)
Até o/

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1 comentários

  1. Tenho muita curiosidade em ler esse livro. A capa é linda e a sinopse super interessante. Gostei da sua sinceridade, o que me fez decidir procurar esse livro nas livrarias aqui no Rio!
    Obrigada!
    Um beijo,
    Nica

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