bloqueio criativo bloqueio de escrita

Bloqueio Criativo - Texto sem bloqueio

13.11.09Dana Martins



Às vezes a gente olha para a página em branco e pensa que não sabe o que colocar, que tá ruim... Bate um desanimo e você não tem ideia do que escrever. Daí você respira fundo e cruza os braços, batendo o pezinho e irritado. Como escrever 50.000 palavras se a sua cabeça está tão branca quanto a página?


Infelizmente, não é tão fácil resolver, cada pessoa tem um tipo de bloqueio. Eu (Dana) descobri que quando me pedem qualquer regra eu não consigo falar. Se eu me preocupar com pontuação, com escrever bonito ou sei lá o que, eu simplesmente não escrevo. Descobri isso fazendo redação para o enem. E como eu resolvi? Escrevendo tudo o que vinha na cabeça. Minha tia até fez um "jogo" comigo de pegar uma palavra e escrever no papel tudo o que vinha na cabeça relacionada a ela. Até hoje eu escrevo tudo de "qualquer jeito" antes do texto final. Esse texto mesmo que você está lendo, eu escrevi num momento de "ideias jorrando no papel" (enquanto eu deveria estar escrevendo para o NaNoWriMo) e depois editei inteiro.

Sabe quando você termina um livro que gostou muito e não sabe o que falar? Escrevo do mesmo jeito. No início sai algo como "é bom...", "adorei tal personagem" e coisas perdidas. É tipo jogar na penseira para observar depois por outro ângulo. Aí eu entendo o que eu achei e o que eu quero falar e escrevo.



Minha dica para quem está com bloqueio no NaNoWriMo é se perguntar: qual o objetivo da história? ela é sobre o que? Por que você decidiu escrever isso? Sei lá, digamos que você teve a ideia duas pessoas se encontrando em uma sorveteria. Ele era do tipo fofo e ela tão animada que falava qualquer coisa sem pensar - e os dois riam. Riam porque eles estavam felizes e juntos, era isso o que importava. Achou isso tão legal que quis escrever sobre. As perguntas são: quem é ele? Por que ele está ali? O que ele acha dela? As mesmas para ela. E por que aquela sorveteria? E conforme você vai pensando nessas perguntas vai pensando na história inteira.

Eu tenho duas manias. A primeira é que eu SEMPRE começo pelo final. Acho que é algo "uma história seria legal terminar assim". Então eu tenho uma boa ideia de onde vou chegar, mas não faço ideia do que vai acontecer até lá. Pensando em como pode começar, as coisas vão saindo. Se algum momento começa a ficar meio "parado", eu avanço logo. Às vezes eu não sei se é melhor fazer algo B ou A (minha história de 12 - D-O-Z-E! - pontos de vista), eu penso no que eu tenho vontade de escrever. Às vezes surgem ideias e surpresas na própria história que eu nem esperava, é engraçado. Eu imagino o momento e quando estou escrevendo sobre ele surge a "necessidade" de algo que eu nem imaginava.

Eu tive um bloqueio esses dias. Foi quando eu comecei com a "paranoia da informação". A pesquisa é uma parte muito importante do livro para deixar tudo mais real - e o meu lado perfeccionista fazer meu sensor aranha apitar toda hora, ainda mais que estou escrevendo pro lado da ficção científica. Tipo: isso realmente aconteceria? Quais são as chances dele sobreviver a esse choque? Ele reagiria de forma A ou B? Essas pesquisas são interessantes porque às vezes eu descubro algo que eu não sabia e dá uma ideia a mais para a história, mas é importante saber "pesquisar com moderação". Eu cai nessa e eu não conseguia escrever, porque eu ficava imaginando que tal coisa não seria real, não iam gostar... e eu nem sei se alguém (além do meu irmão, que é obrigado NÉ) vai ler essa história.

Bloqueio, do grego não faço ideia, é aquilo que Carlos Drummond de Andrade soube manejar muito bem com a pedra no meio do caminho. Nós podemos usar isso muito bem como uma metáfora sobre encontrar bloqueios. Mas, na verdade, ele viu uma pedra e simplesmente decidiu escrever sobre isso. Nada mais. Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra.

Agora a pergunta: Você escreveria assim aleatoriamente?



---Eu escrevi uma parte inteira para me dar conta do que eu ia falar, então decidi "recomeçar". E que vou colocar como anexo no post para ver como isso virou o texto.

Não existe uma fórmula para o bloqueio criativo, mas com certeza há um modo de você acabar com isso. É por isso que o NaNoWriMo é conhecido por "quantidade em vez de qualidade". Um dos maiores problemas para botar a ideia no papel é o bloqueio,

to dizendo que quando você tem um problema,

O maior problema é o julgamento. Sabe por que muitos artistas bebiam/se drogavam ou coisa assim? Porque isso confunde a consciência e a pessoa perde parte da autocritica. E por que isso é importante? Porque você consegue colocar as ideias no papel sem ficar se enchendo o saco.

Cada um pode ter o próprio método, o importante é conseguir. E a pergunta é: você consegue? Não? Então aproveita esse. Você pode escrever em dezembro, outubro, janeiro ou sei lá. Mas se você não escreve, segura firme na disciplina e segue as "regras" do NaNoWriMo.

1. Falar sobre a sua história REALMENTE ajuda. Quanto mais você fala sobre algo, mais você pensa nisso e, consequentemente, acaba chegando a algum lugar.

2. NÃO PENSE. Eu sei que mês passado a gente veio com o "use your brain" dos zumbis e é muito bom ser crítico, mas na hora de criar um mundo você precisa mandar seu editor interno para o espaço (ou mais longe, se for possível). Escreve. Escreve. Escreve. Qualquer coisa. Mês que vem você volta a pensar. (Tente escrever bêbado de sono, ou bêbado de verdade... para ver a diferença.) Se eu tivesse usando meu editor interno aqui, nunca aconselharia alguém a beber. Reflita.

O bloqueio é você que cria e às vezes nem percebe. Quando eu fico tentando agradar alguém, quando eu tento fazer real, fico buscando o melhor diálogo... isso não dá certo. Quando eu vejo eu não consigo escrever.

Uma das coisas que eu faço e ajuda (ALÉM de não ficar criticando/editando/tentando agradar) é pensar antes de escrever. Eu faço mais da história no banho, antes de dormir, no carro, olhando pro nada (...) do que sentada escrevendo. É tipo um rascunho mental.

Outra coisa é realmente fazer rascunhos. Eu tenho um papel com os nomes do personagem (que eu fiz na aula, é claro), relação entre eles e os próximos pontos principais da trama (que depois eu descobri que são capítulos e que depois de eu descobri que alguns aconteciam ao mesmo tempo). Tem outros que eu sei que vão acontecer e não sei quando (porque a proposta da história pede isso. exemplo clássico é filme de terror: você sabe que 4 pessoas vão morrer durante o filme, só não faz ideia de quando e como). Aliás, eu já tive que passar a limpo esse papel porque a história cresceu tanto que outras informações sugiram. Agora eu tenho 2.

Deixa a história te levar, pega o propósito dela (mostrar um casal se conhecendo), sempre faz perguntas: quem? por que? E escreve o que você pensar. Mesmo que não tenha a ver. Por exemplo: a ideia era ser uma série de cartas, mas aí você pensa na visão de fulaninho que não teria como estar nessas cartas. Resultado? Vai ficar com um bloqueio porque quer escrever uma coisa e tá preso em outra. Agora é a hora de dizer: QUE SE DANE. E enfia uma narração em primeira pessoa nada a ver. Estou em 1/5 da metade e já passei por 3 tipos de narração diferente.

Outra coisa que aconteceu comigo foi que eu descobri que estava usando um sobrenome errado (HAUHAUHA pqp). Agora eu não vou voltar pra colocar o certo, vou continuar como o certo e na revisão arrumo inteiro. Aliás, eu ainda não decidi como vou chamar os personagens direito ainda, então está numa falta de padrão fenomenal.

Se você ficar parando agora para arrumar detalhe bobo assim não vai chegar a lugar nenhum. A não ser que voce consiga chegar. Nesse caso você já deve ser um escritor com livros escritos e (nesse momento houve uma pausa, porque escrevi "não precisa de dicas", mas eu acredito que a gente sempre pode melhorar e mesmo se você for um escritor com vários livros algumas dicas podem te tornar melhor ainda, então o "não precisa" estaria tecnicamente incorreto e poderia dar um sentido errado. Então eu paro, atrapalho meu fluxo de pensamentos, só para tentar encontrar o substituto perfeito para o que eu quero dizer. Por um segundo agora eu quase parei de falar porque achei que estava escrevendo demais e já ia começar a editar. Bem, está vendo como um detalhezinho pode bloquear totalmente um assunto? Nesse momento, você já estaria no final...

(um detalhe que eu lembrei agora: Eu comecei a pensar sobre distopia mesmo em março, no post do Centro de Treinamento sobre Jogos Vorazes, só quase no fim do ano depois de muitos textos tentando dizer o que é distopia é que eu cheguei a uma conclusão que eu acreditei ser minimamente satisfatória. Só para depois me dar conta de outro detalhe que ampliou minha visão mais ainda. Uma ideia não sai perfeitamente, ela vai sendo construida com o tempo).

falar no último dia que se você não conseguiu, não tem problema. uma coisa que escondemos nos posts durante esse mês (só para evitar que preguiçoso arranjasse desculpa!) é que uma ideia vai sendo contruída. Eu tenho, no momento, umas 5 ideias para desenvolver história. Algumas eu já até escrevi trechos (uma no NaNo Camp, aliás, mas interrompi por causa da Taylor) e outras eu sei que ainda não estou pronta para desenvolver. Uma delas, a mais antiga, evoluiu consideravelmente nos últimos anos (sim, anos). Outra é quase tão antiga quanto, mas continua muito no início. A que eu estou escrevendo, por mais que eu tenha "descoberto" em cima da hora, nos últimos meses eu vinha tropeçando no tema. Aliás, eu estou juntando parte dessa mais antiga e da que eu escrevi no NaNo nela, vai ser como um curso "divertido" de preparação para o que eu quero escrever.

A criatividade nada mais é do que misturar coisas que ninguém imaginava. Um mito local com o medo americnao das viagens "selvagens"? Zumbis. Mitologia grega com hoje em dia? Percy Jackson. Queria dar mais exemplos, tipo de coisas comuns do dia a dia, mas minha capacidade de lembrar de fatos reais não é tão boa como a capacidade de misturar coisa aleatória.

Se você está com um bloqueio criativo, você A) está se pressionando a ponto de não fazer nada ou B) Não está pensando direito, não está fazendo perguntas, não está indo atrás de respostas (sensor aranha diz: você acabou de falar a mesma coisa com duas frases diferentes. sensor aranha continua dizendo: você está colocando coisa demais! era pra ter finalizado há uns 3 parágrafos!).

Só pra terminar, além de pensar melhor nas possibilidades, você pode ver coisas novas. Ajuda a encher o baldinho de criatividade. Procura coisas que te inspirem (eu adoro blogs de design ou gente falando sobre o que faz/como foi fazer), procura sair para dar uma volta e pensar na vida, assista filmes, saio com os amigos, converse sobre o livro com eles! (mas só com gente animada, faz o favor). Quando a página em branca insiste em ficar na mesma dimensão, vai procurar lá fora.

A verdade é que se você realmente quer vai encontrar uma saída. A gente aqui no blog só está ajudando.


Agora eu vou lá escrever que estou desde hoje cedo com um comentário sobre árvores atirando raios lasers na cabeça para escrever!

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1 comentários

  1. Uau, Dana. Que post, hein?

    Adoro ouvir (ou melhor, ler) as dicas e as experiências que vocês citam aqui. Como sempre digo, acabo me identificando bastante.

    Concordo com você e com o Paulo em tudo (ou quase tudo) o que disseram. Uma coisa que me chamou a atenção no seu post foram aquelas questões que você disse: qual o objetivo da história? ela é sobre o que? Por que você decidiu escrever isso? Porque se a gente parar pra pensar, é bem sobre isso mesmo. Entrar no mundo que você criou, incorporar os personagens e saber o que eles fariam naquela situação, descobrir pra onde você quer levar sua história... enfim.

    Essa de escrever o fim da história pra depois começar também parece dar certo. Vi num vídeo da Lycia Barros (já disse que adoro os vídeos dela?) que até a autora de Crepúsculo fez isso e deu certo. E ainda mais legal é a dica de falar bastante sobre sua história com os amigos e tudo mais... Às vezes eles até perguntam coisas que você nem tinha pensado antes e adicionam alguma coisa legal na história. (Pena que eu não tenho pessoas que realmente se interessam em saber que eu escrevo. Seria legal falar abertamente sobre minha história sem alguém morrer de sono...).

    Também sou desses que adora ver coisas pra se inspirar (passei meia hora esses dias procurando cômodos de castelos no google, é divertido), que demora pra decidir o nome dos personagens e que faz fichas técnicas sobre eles. E também tenho várias ideias (algumas loucas) pra escrever um livro... já até pensei em apagar tudo o que tinha escrito pro NaNo (que não é muito, né) pra escrever sobre um apocalipse transgênico (obrigado, professora de biologia, pela ideia brilhante e sem nenhum noção :P).

    Tem tantos jeitos de sair de um bloqueio criativo que parece até meio bizarro eles existirem e atormentarem tanta gente. Mas os textos que vocês publicaram aqui ajudaram - e MUITO - a iluminar minha mente turbulenta. Obrigado \o/

    Meu comentário não passou nem perto de ficar tão bom quanto o que seu texto merecia, mas saiba que eu realmente gostei bastante do que você escreveu. E adorei que esse texto foi longo :) Aprendi bastante hoje.

    Queria poder falar mais, só que o que tudo o que escrevi aqui já está sem sentido o bastante. Então, só vou dizer mais uma coisa: uma boa semana de escrita para todos da equipe!

    Abraços (:
    João o/

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