Aline Mazzarella CCdiário

Harry Potter é meu lar

28.7.17Colaboradores ConversaCult






Geralmente ouvimos histórias de como Harry Potter ajudou determinada pessoa a entrar no mundo da leitura. Mas comigo foi diferente. Em 2001, eu tinha sete anos e já tinha iniciado no mundo da leitura desde que comecei a aprender a juntar sílabas e eu tinha uma coleção enorme de gibis da Turma da Mônica ,ficava lendo e relendo aquilo o dia inteiro, se deixassem. Depois, quando uma amiga que estudava comigo foi me mostrando livros da série "Diário da Princesa", da Meg Cabot, eu comecei a ficar “meu deus, eu amo muito ler”. Mas quando Harry Potter e a Pedra Filosofal chegou aos cinemas, eu nunca tinha ouvido falar dos livros antes e não me interessei nadinha. Não fedia nem cheirava pra mim. Inclusive, quando minha tia me levou ao cinema pela primeira vez, ela perguntou se eu preferia ver Harry Potter ou Meninas Superpoderosas e eu escolhi Meninas Superpoderosas.

Eu continuei uma leitora ávida no ano seguinte, tanto que no Natal de 2002 minha tia me perguntou qual Barbie eu gostaria de ganhar naquele ano, por telefone, e eu perguntei “se teria algum problema não ganhar Barbie, mas livros”. Ela era tão apoiadora da leitura que SURTOU e cada pessoa da família (que morava com ela) me deu um livro diferente de presente de Natal. Meu pai, na época, trabalhava na casa dela e trouxe todos para mim numa sacola e eu “aaaah”, saí abrindo tudo. Eram quatro livros: Poderosa, Um Mistério no Espelho, um terceiro que infelizmente esqueci, e, embrulhado em um papel dourado que eu abri por último, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Eu ainda estava na vibe Diário da Princesa, então queria cair dentro de Poderosa, por também ser diário de uma menina. Mas aí, quando liguei pra agradecer, minha tia quis que eu lesse Harry Potter primeiro porque aí ela me daria os outros, caso eu gostasse. Mano... Eu li o livro todo em um dia, liguei pra ela LOUCA no dia seguinte surtando porque tinha AMADO. Resultado: ganhei os volumes dois, três e quatro de uma vez, comi todos os livros, reclamei porque não tinha mais e comecei um hábito que tenho até hoje: reler Harry Potter. Eu tinha poucos livros em casa, então eu fazia rodízio... Lia o 1, 2, 3, 4. Acabava, voltava para 1, 2, 3, 4. E assim deixava mamãe louca hahahahaha Ela achava que a filha estava doida... Eu era bem atentada quando criança, e, percebendo o quanto eu amava aqueles livros, meus pais me tiravam quando eu aprontava. E, caraaaa, era pior que uma palmada! Eu chorava, parecia que alguém tinha morrido, e prometia me comportar caso eles me devolvessem... 

Eu amava tanto essa história que, quando lançou Ordem da Fênix, eu entrei para estatística, junto com as demais crianças que estavam sofrendo horrores com dor de cabeça por lerem um livro de muitas páginas e letras miúdas. Mas o que eu posso fazer????? Era melhor dor de cabeça do que parar de ler! Mais ou menos nessa época (acho que no ano seguinte), eu apresentei Harry Potter para duas amigas da escola (elas são as únicas para as quais emprestei meus livros em pt-br) e foi por causa desses livros que nos tornamos mais amigas ainda! Eram conversas e mais conversas, comprávamos Capricho porque tinha ator dos filmes nas capas, morremos esperando por Harry Potter e o Príncipe Mestiço (que acabou vindo como Enigma do Príncipe)... E se eu chorei nesse último não foi nem perto de como fiquei com o próximo...

Harry Potter e as Relíquias da Morte foi trazido pelo meu pai tarde da noite, eu esperei ele chegar em casa, peguei o livro correndo e subi pra minha cama pra ler. Mano... EU LI TUDO DE MADRUGADA. Às seis horas da manhã lá estava meu pai consolando uma Aline virada e soluçante porque aqueles personagens tiveram seus finais. E não tinha mais e eu precisava de mais, sempre mais. Foi de partir o coração. E no dia seguinte eu tava relendo o livro com mais calma, porque né...

Minha estante com coisinhas de Harry Potter

Por que eu ainda sou fã?

Essa é uma parte da pergunta que a Carol (aqui do CC) fez e... Tirando a parte de amar a história (tiveram MUITAS releituras nesses anos todos), tem toda uma carga emocional. Eu sempre fui uma pessoa que não se importa de ficar sozinha. Mas até quando você curte a solidão, não é algo que quer pra sempre e Harry Potter teve um papel nisso.



Em 2009 eu entrei para um RPG de Fórum por Orkut chamado Hogwarts Orkut Brasil. Eu só estava procurando alguma comunidade para falar de Harry Potter e caí numa brincadeira que marcaria minha vida para sempre. Resumo: na comunidade tinha tópicos que representavam locais de Hogwarts (Lago Negro, Sala Comunal da Grifinória, Salão Principal, etc) e a gente fazia postagens narrando nossas ações! Nossos personagens eram alunos de Hogwarts, jogávamos quadribol, íamos para as aulas, toda aquela história. E aí conhecíamos pessoas de todos os pontos do Brasil e era muito daora!

Em 2010, eu mudei de escola. Pela primeira vez na vida, estaria longa das minhas duas melhores amigas. E logo no momento em que começa a pior época na vida da maioria das pessoas: o Ensino Médio (sons de terror). Eu só fui fazer amigos (ou colegas) no último ano, e os dois primeiros foram terríveis! E para onde eu ia quando as coisas estavam piores? Hogwarts, é claro. Eu ainda estava naquele RPG e tinha amigos maravilhosos, alguns dos quais encontrei pessoalmente (uma delas foi na estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 e foi mágico, triste, muitas lágrimas)! Duas das minhas melhores amigas eu conheci nesse RPG e mesmo aqueles amigos com os quais perdi o contato, guardo com muito, muito, muito carinho no coração porque foram momentos maravilhosos que passamos juntos à distância. E não era só o RPG, tinha também os livros, com Hogwarts sempre lá para me receber em casa como se fosse a primeira vez.



O tempo passou e eu deixei de ser tão sozinha, o RPG acabou (tal como o próprio Orkut), os filmes de Harry Potter acabaram também... Mas a magia não acabou, porque, como diziam os cartazes, tudo aquilo fora real para nós. E, além de toda essa época na qual me ajudou, Harry Potter continuou comigo no meu dia-a-dia.

Minha amiga foi pros EUA e trouxe a varinha do Sirius (meu preferido <3)


Eu passei por problemas na faculdade e, num momento decisivo, uma frase de Harry Potter (“São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades) me ajudou. Eu passei por períodos insuportáveis de ansiedade generalizada associada à depressão e Harry Potter me ajudou. E me ajuda. Quando comecei a escrever esse texto, foi numa semana que estive sofrendo com dores de cabeça intensa. E escrevendo senti vontade de reler os livros e só de ler “Capítulo Um: O Menino que Sobreviveu”, eu já melhorei.

Então a resposta para a pergunta, sobre o porquê de eu ainda ser fã, é que Harry Potter é casa. Não lembro de minha história antes de ler esses livros e, se você gosta de mim como sou hoje, você deve a Harry Potter. Harry Potter é tão importante em tantos níveis... Até se você não gosta dos livros, não pode dizer que não fez nada pela literatura infanto-juvenil, pois você sabe que várias crianças de hoje só leem porque leram Harry Potter. É muito amor por essa saga, não dá. É meu Big Bang pessoal. Esse era para ser um texto curto mas é um amor tão grande que não consigo resumir mais que isso. Porque eu chorei quando fui na estreia ver Animais Fantásticos e tinha uma CRIANÇA lá de cosplay! Depois de tantos anos, tinha uma criança lá de cosplay! E eu chorei porque a magia não acabou, nem para mim nem para novas pessoas nesse mundo maravilhoso. Nessa Hogwarts que acolhe todos que a ela recorrerem, por quaisquer meios que fizerem isso.



Minha mãe costuma dizer, ao me pegar relendo Harry Potter, que se eu não enjoei até hoje, não enjoo nunca mais. E é verdade! É tão parte de mim que meu namorado foi para Barcelona e trouxe lembrancinhas da cidade para todo mundo, e para mim foi um Pedra Filosofal em catalão!!!!! Amei tanto que saiu da jaula o monstro e agora quero colecionar Pedra Filosofal ao redor do mundo hahahahahaha A única coisa no mundo pela qual sou fanática é isso e eu espero sinceramente um dia encontrar Jo Rowling e contar a ela tudo que fez e faz por mim, sem saber nem que eu existo.

A já mencionada edição em catalão.
Eu não sei catalão, mas tô nem aí.

Para fechar o texto de uma forma muito clichê, eu digo que consigo prever essa parte do meu futuro com certeza: eu, velha, aposentada já, relendo Harry Potter. E se alguém me pergunta “Depois de todo esse tempo?”, eu sei que direi “Sempre” porque é a mais profunda verdade.




Sobre a autora

Aline Mazzarella é estudante de Física, e professora e cientista quando a UERJ deixa. É deficiente auditiva mas contorna como pode os obstáculos que a surdez coloca no caminho. Amante de leitura desde criancinha, tendo literaturas infanto-juvenil e fantástica como favoritas, mas lê qualquer assunto que estiver pela frente (porém sem arriscar muito na escrita). Não vê música como algo indispensável, mas, além da leitura, não vive sem suas séries e filmes repetidos.

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