amizade ansiedade

Desabafo

24.4.17Colaboradores ConversaCult


Muitas coisas aconteceram nas semanas que se seguiram e eu vou usar isso tanto para desabafar, como para tentar direcionar como uma matéria... Certo, vamos falar de ansiedade e tudo mais - não, eu não tenho ideia do que vai sair no fim desse texto. 

Apresentador: Pode entrar João Paulo, sente-se nessa poltrona por favor. - Aceno pra plateia e me sento. - Por favor, nos conte o que veio acontecendo essas semanas... 

Euzinho: Então, eu nem sei como começar, só sei que apesar de um monte de coisa boa, como o fim do bimestre chegando e eu já ter entregado todos os trabalhos na escola, aconteceu umas paradas nada legais comigo. No dia do meu aniversário eu tive uma crise de ansiedade e tive que correr para o banheiro do shopping, onde eu tive aquela ilusão imbecil – que antes não nunca tinha acontecido comigo – de estar sem ar e não conseguir respirar, porém consegui controlar e continuei no shopping com apoio de geral da família (mamis, pai, mana) e fomos pra Americanas e tals. Depois conforme os dias se passaram um garoto perguntou para um amigo meu se ele era gay e ele respondeu na lata que não, depois o garoto perguntou para mim se eu era hétero. 

Apresentador: Nossa, e o que você respondeu, João? - Ele me encara ansioso, como se aquilo fosse de extrema importância pra ele. Eu sorrio nervoso e continuo. 
Mantém o suspense... Solta!  

Euzinho: Então, eu respondi que não era hétero, então ele perguntou se eu era bi, novamente disse que não e antes que ele perguntasse soltei a conhecida frase "eu sou gay" e pronto. Porém o que me surpreendeu foi que ele quis saber mais e então, como era aula vaga, fomos para a quadra e ficamos conversando sobre isso. E cara, é muito legal ver que um *hétero* estava perguntando as coisas que perguntava, sobre como é ter filhos, sexo, casamento, religião e tudo mais. A única coisa decepcionante foi que ele e o amigo que crê fielmente estar "virando" bissexual, acreditam que é uma questão de virar, que você não nasce. Fiquei decepcionado? Demais. Tentei apresentar fatos? Muitos. Tentei também falar o que isso mudava se fosse ou se deixasse de ser? Sim. Infelizmente, para eles era algo que podia ser mudado... E o mais decepcionante vinha em seguida, "O legal é que o João não demonstra, como muitos aí.". Fiquei um pouco puto? Sim. Muito? Claro. E falei que não era questão de demonstrar seja o que fosse, era quem eu era e ser afeminado ou não vai da pessoa, e ninguém tem que ficar se metendo. Mas após essa conversa eu pensei comigo mesmo, "É claro que eles se sentem desconfortáveis, afinal, alguém que mostra que ser homem não se trata de como se anda, se comporta, se fala, mas sim de sua identidade e ninguém tem que questionar isso, eles começam a se questionar, e Deus, eles morrem de medo disso. 

 quando você se toca disso, você consegue entender muito mais da LGBTfobia e machismo. 
Apresentador: Isso é verdade. Eu lembro de quando eu era criança e meu pai me dizia que azul é cor de menino e rosa de menina, que chorar não é coisa de homem e que brinquedo de homem é carrinho, e lembro que não foi nada fácil me assumir para ele como bigênero e ele não entender nada e ainda me bater... 

Euzinho: Sim, essa é a realidade de muita gente, não só no Brasil, mas também fora dele. E pensando nisso de se assumir, poucos dias antes dessa conversa eu e alguns amigos, com base na ideia de um deles, criamos uma campanha, Eu Sou, que é uma campanha para explicar tudo que possível do meio LGBTQ+ e também sobre outras minorias. Começou pelo facebook, mas aos poucos está evoluindo. E com essa conversa eu entendi com todas as letras do que meu amigo quis dizer sobre estar cansado de "se assumir", afinal, a única pessoa que tem que se aceitar é ele e isso é o que importa. O Eu Sou surgiu como uma ideia de desmistificar algumas coisas. 

Apresentador: Muito interessante essa campanha, depois você poderia passar para mim? - Prontamente o respondo que sim. - Por favor, prossiga. 

Um dia falo mais da campanha à parte aqui no blog. 
Euzinho: Então mais dias se passaram e chegou o dia do curso de Espanhol. Fui com meu amigo e tudo certo, chegamos lá e encontramos o pessoal, então ficamos de papo e rindo, e quando eu menos espero uma crise de ansiedade começa ali no meio de tudo e eu tentei manter a calma e não mostrar pra ninguém que eu estava tendo a crise – sorte que eu tinha tomado uma dose do calmante antes de sair de casa –, mas eu continuei ali, consegui controlar e fomos para a sala. Tivemos aula e voltamos para minha casa a pé, do mesmo modo de sempre. Contei para minha mãe sobre a crise e falei que eu não tinha a menor ideia do que tinha acontecido.  

Então mais dias se passaram e eu de repente me vejo na minha cama, deitado às 22:30 do domingo de 26 de Março, dançando, sem conseguir dormir. Só adormeci depois, já na madrugada de segunda-feira. Mais um dia se passa e eu de novo estou na minha cama depois de ver séries após a escola e dormir de tarde, agora terminando Grace & Frankie, chorando com o final da temporada. Eu já tinha tomado o calmante para dormir, pois depois das crises voltei a tomar para manter meu corpo mais em controle, e logo após terminar eu fiquei só escutando música do Maroon 5, cantando e dançando ainda na cama. Então eu vi que tinha um e-mail do batdrama (feitos pela Dana) que tinha chegado algumas horas antes, e decidi o ler, nele estava falando sobre ansiedade – e mais algumas coisas – e me fez pensar e lembrar da briga que eu tive meses antes com uma amiga por "eu não saber me acalmar". Continuei com a música e dançando durante a leitura e após ela, pensando com insistência nessa briga, então fui ver o último episódio lançado de Once Upon a Time e depois dormi. No dia seguinte eu entenderia porque a insistência em lembrar dessa briga. 

Melhor GIF pra representar eu finalmente entendo alguma coisa.
Nossa briga havia sido porque eu não sabia me afastar das coisas atuais e de vez em quando não fazer nada, mas eu explicava que não era que eu não me afastava dos assuntos polêmicos do momento, afinal eu sempre gostei de saber mais e pesquisar e tals. E eu falava que o meu 'me acalmar', era desenhando - o que eu, infelizmente, acabei brecando por causa das séries -, escutando música agitada, na maioria pop quase eletrônica, escrever e tals, mas ficar parado eu não gostava. E era justamente disso que era o batdrama, esse sentimento de estar perdendo tempo se não fizer algo, o problema, é que eu gosto de estar o tempo todo fazendo as coisas, e o único momento que eu não fiz nada, foi na madrugada em que fiquei escutando música, e só depois de muito tempo decidi ver séries de novo. E então eu vi a ficha caindo, pela primeira vez eu entendi que, não que minha amiga estivesse certa, afinal, eram linhas de raciocínio muito diferentes as nossas, mas que, apesar de ter tantas séries que eu queira ver ou outras coisas pra fazer, eu vou criar meu tempo depois, se no momento eu não quiser ver, beleza, não é como se eu estivesse perdendo tempo. 

Apresentador: Verdade, isso é um problema muito grande. Afinal, não é todo mundo que se sente confortável com a ideia de ficar parado por alguns minutos sem sentir que está gastando seu tempo em vão. 
Eis como é antes de você aceitar que não está desperdiçando tempo. 
Euzinho: Nem um pouco mesmo... E conforme os dias iam voando eu acabei afastando meu amigo para poder pensar em como chegar nele e falar que algumas coisas estavam me incomodando. Acabou que por eu ter ignorado ele na aula de matemática - e nem foi de propósito, porque não importa o quanto eu precise de um tempo, eu não ignoro os outros, mas acabei o fazendo porque estava de fone escutando o que? Maroon 5, amores. 

E tem madrugadas ou somente noites de horas maravilhosas gastas com meus amigos virtuais conversando sobre tudo e mais um pouco. 

E teve um dia que eu fui para casa do meu avô e passei mais um tempo só com ele e a mana, e ficamos lá com a tesoura enorme – quase faca aquele bagulho – de jardinagem e eu literalmente fiz um parkour pra retirar o negócio lá do muro. E isso faz perceber como a interação com os outros membros da família faz falta, afinal, é difícil ter uma conversa de fato com meu avô por conta de ele não ser muito de conversar tipo demais, ele não é sentimental, mas sim brincalhão. Nossa família se juntou mais, e quando falo família, digo a parte de avós, tios e nós. Estamos comendo juntos todos domingos, um enorme avanço. Tudo isso te faz pensar no tempo que você passa com sua família, ao menos com a parte que se importe e que te importe. E vejo que nesse quesito, eu estou bem, mas sempre irei querer melhorar. 

E acho que às vezes não percebemos tudo que nos incomoda e/ou alegra até que algo que supere todos os outros ative sua noção. E nisso, te faça parar para analisar tudo na sua volta. 

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Então depois de analisar e entender tudo que está acontecendo, só vai.

E eu não sei ainda qual o propósito final do desabafo em texto, mas acho que de tudo um pouco. Acho que foi um cansaço com todas as coisas que percebi nas semanas, mas também um modo de especificar mais as coisas na escrita. 

Podem ver que eu falo sobre se assumir, amizade, briga, ansiedade, entre tantas outras coisas em um formato de entrevista, criando um personagem que é o apresentador com identidade bigênera e de cabelo rosa - não falei ali em cima, mas estou especificando agora porque eu quero desenhar ele... 

Muita coisa veio em caixinha de surpresa em cerca de duas semanas (mais ou menos isso) e eu ainda estou tentando ver qual o melhor caminho, estou tentando melhorar em como me introduzir em um assunto para expor para os amigos quando estou me sentindo meio incomodado, acho que todos estamos. E estou tentando fazer mais coisas além de ver séries, como voltar a ler, que eu fiquei parado nisso desde a ressaca literária do meio ao fim ano passado; ou focar em escrever outras histórias originais e continuar postando... E nisso, decidir se eu quero fazer no momento ou é o pensamento recorrente de que estou desperdiçando tempo, sendo que eu não estou, eu preciso de um tempo para ficar na minha cama, eu, eu mesmo e o tempo (com a música, claro). 

 
Quando você não sabe se levanta pra continuar dançando, mas então se decidi e continua dançando na cama. 
Não, esse texto não tem nenhum propósito além de fazer um grande desabafo e me fazer parar para analisar e com sorte, fazer com que tudo isso de mais pessoal e interior meu das últimas semanas te ajude a se acalmar, a pensar, qualquer coisa que para você no momento seja necessária.

Mas agora parando para pensar, acho que para mim, no fim, eu quis falar de felicidade. 

Falar do quanto ficar de noite deitado na cama da minha mãe com minha irmã rindo enquanto meu pai é zoado pela minha irmã, ou o quanto eu gosto de passar esses tempos fazendo algo que não exija muita conversa com meu avô, o quanto eu amo meus amigos, a felicidade do sonho que um dia se realizará de conhecer meus amigos virtuais, a felicidade de desenvolver novas histórias, de desenhar. No fim, a mentira contada à nós que não saber descrever felicidade como um sentimento, é porque não sabemos, cai, e vemos que felicidade é tudo que nos faz verdadeiramente bem, e não é num quesito de ilusão da felicidade, mas sim a felicidade de fato, amigos verdadeiro, conversas e risadas, momentos especiais com as pessoas que para você, são especiais. 

Coisas tão simples, e estamos a todos os momentos achando que dinheiro é a fonte da felicidade... (não que não seria bom ter, afinal, seria muito bom, mas felicidade e dinheiro não são covalentes.). 

O que importa é que o que você faz te inunde por todo o interior (alma, coração, seja como for falar) de alegria, amor e esperança = felicidade. 



***

Sobre o autorMe chamo João Paulo, mas prefiro que me chamem de Jota. Acabei de iniciar o Primeiro Ano do Ensino Médio e tenho quinze anos. Sou um amante de Letras, séries, livros, causas sociais (que estou procurando sempre me atualizar mais) e culinária. Sou o irmão da minha irmã, gordo sedução, irritado com ignorância e uma linda Drag Queen nos meus tempos livres.

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