2015 A Herdeira

A Herdeira, de Kiera Cass

15.7.15Brenda Cordeiro



"Uma coisa era a expectativa de que eu comandasse o país, de que carregasse o peso de governar milhões de pessoas sozinha. [...] Mas casamento era muito mais pessoal, outro pedaço da minha vida que deveria ser meu, mas aparentemente não era"

[AVISO: ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS DOS TRÊS PRIMEIROS LIVROS DA SÉRIE!]

O que vem depois do "felizes para sempre"?

O quarto livro da série A Seleção traz uma nova história, que se passa 18 anos depois dos acontecimentos de A Escolha, sendo narrado pela filha de America Singer, Eadlyn. Sem nunca pensar em passar por uma Seleção própria, a princesa é pega de surpresa quando seus pais a abordam com a proposta. Eadlyn nunca quis uma história de amor, por ser independente e ter medo de se tornar vulnerável ao se apaixonar. Quando, após muita relutância e barganhas por parte da princesa, os seus trinta e cinco pretendentes chegam no palácio, Eadlyn descobre que se abrir pode não ser tão ruim assim.

Eadlyn Schreave é a primogênita do casal Maxon e America. Nasceu apenas sete minutos antes de seu irmão gêmeo, Ahren, sendo assim a próxima na linha real a assumir o trono. Ela foi criada desde sempre para se tornar uma rainha, por isso desde jovem começou a trabalhar com o pai em seu gabinete, se envolvendo com situações políticas e aprendendo como deveria governar seu país, Isso a tornou uma mulher forte, racional e calculista, porém fria e pouco carismática.

Eadlyn sempre teve medo de se apaixonar e se tornar uma pessoa fraca por isso, o que a fez criar um 'muro' em torno de seu coração, sem deixar que ninguém além de sua família ultrapassasse. Isso se tornou um problema quando ela se viu diante de trinta e cinco homens competindo pela sua atenção e, também, seu coração.


Foi muito interessante ver como os personagens da trilogia original estavam depois de 18 anos. America e Maxon finalmente juntos e felizes com seus quatro filhos (Eadlyn, a única menina, Ahren, Kaden e Osten), Aspen com Lucy, e até Marlee e seus filhos. Como a história era narrada por Eady e trazia vários novos personagens, Kiera não conseguiu focar muito nos mais antigos.

Fiquei um pouco desapontada de ver como, mesmo após a dissolução das castas, os problemas políticos de Illéa eram basicamente os mesmos e como Maxon estava em apuros para lidar com eles. Tinha a impressão que o reinado dele seria ótimo, que ele iria conseguir deixar o país numa situação boa, econômica e politicamente, mas não é o que encontramos nesse livro. Vemos um Maxon sempre preocupado e cansado, sem saber o que fazer na maioria das vezes.


Kiera Cass mais uma vez trouxe uma protagonista diferente: Eadlyn é uma personagem muito difícil de se gostar, por conta de suas características pouco agradáveis. A princesa é, sim, muito forte e destemida, mas um pouco mimada e egoísta, o que pode torná-la mais difícil de gostar do que America, por exemplo. Na minha opinião, porém, esses defeitos de Eady foram o que me fizeram gostar dela.

Ela é uma mulher completa, com defeitos e qualidades. Ela é humana e tem todo direito de ter suas dúvidas, de não querer casar aos 18 anos e ter receios quanto ao seu futuro.

Existem vários momentos no livro em que Eadlyn me deixou muito orgulhosa, como em uma passagem em que a princesa vai cavalgar com um dos pretendentes num encontro, e resolve ir de vestido.

"- Você vai vestida assim?
Olhei por cima do ombro.
- Posso fazer mais com esse vestido do que a maioria dos homens faria usando calça em um dia inteiro."

Uma palavra descreve minha reação depois de ler isso: ORGULHINHO!

Já sobre a Seleção em si, gostei de ver como os papéis foram invertidos e dessa vez uma mulher tinha o poder nas mãos, podendo escolher com quem iria ficar no final. Não que esses fossem os planos originais de Eadlyn, que não estava nem um pouco interessada em arranjar um marido.


Gostei também de conhecer Kile, Henri, Erik, Hale e até Ean, alguns dos pretendentes de Eady, cada um com uma personalidade diferente e que me conquistou de alguma forma. Durante o livro só se passam duas semanas da seleção, então ainda não é possível saber qual é o favorito de Eadlyn (e se ela sequer tem um!), mas eu já tenho o meu e sou #TeamKile por enquanto! Hahahahaha. Não consigo me controlar, adoro um romance, mesmo quando a protagonista não quer vivê-lo!


De um modo geral, A Herdeira é um bom livro, porém um pouco superficial. Kiera não aprofunda nada, nem os sentimentos e pensamentos de Eadlyn, que está sempre confusa demais em relação aos meninos e a si mesma, nem a situação atual da monarquia e os problemas que eles enfrentam, nem sobre a família de Eady e seus irmãos... Enfim, nada.

Apesar disso, a leitura foi um bom entretenimento e me deixou ansiosa para ler o quinto e último livro da série, que vai ser lançado somente no ano que vem e ainda não possui título.

Dando uma pesquisada sobre o livro, achei um canal no Youtube sobre a série que tem os vídeos de apresentação de alguns dos Selecionados legendados e outros vídeos relacionados. Vale a pena conferir!


Título: A Herdeira
Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 391
Ano: 2015
No Skoob
Para comprar: Saraiva - Submarino - Americanas
Book Trailer

(3/5 conversinhas)


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Este livro foi cedido pela Companhia das Letras (sob o selo da Seguinte), que são lindos demais!

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1 comentários

  1. Comprei esete livro no começo do ano,começei a ler e ate agora não tive vontade de continuar porque como voce disse é mais dificil gostar da personagem.Porem lendo a sua resenha ,despertou uma certa vontade de começar a ler...

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