A Esperança A Esperança Parte 1

Pensamentos sobre A Esperança Parte 1

19.11.14Dana Martins


Eu realmente gostei e tá aprovado HUAHUAHA

Assisti A Esperança Parte 1 ontem à meia noite, em uma sala um pouco vazia, sem gritos, sem muita expectativa. Pra ser sincera, o que eu estava mais curiosa para ver era a Natalie Dormer como Cressida, porque sim. É claro que eu estava animada, é a minha trilogia preferida - leia só os trilhões de posts que eu já escrevi sobre Jogos Vorazes - e a adaptação de um dos meus livros preferidos. Mas como foi? Ainda estou organizando meus pensamentos em uma constelação, mas queria compartilhar com você o que eu achei até aqui, antes que comecem a falar merda por aí. 

Sim, tem spoiler aqui, ô cabecinha. É claro que tem spoiler, apesar de na medida do possível eu me conter só com A Esperança Parte 1. 



Quando terminou o filme, eu pensei 3 coisas:
1- Graças a deus o próximo filme já está feito
2- Muita gente vai reclamar disso
3- Obrigada por fazerem esse filme!

A Esperança Parte 1 é um filme assim, que não segue o desenvolvimento padrão, que se não fizesse parte de uma série de outros filmes dificilmente teria saído do papel ou ganharia uma continuação e que talvez desaponte quem nunca leu os livros, mas o que ele transmite vale tão a pena que eu estou grata por decidirem levar para as telas.

TALVEZ desaponte, talvez não porque para quem não leu, todas as informações são novas e ainda está tentando entender. Enquanto elas são tão óbvias para mim que eu cheguei a me perguntar "pra que tá falando isso? todo mundo já não sabe?"

Eu estava conversando com o Paulo, que foi assistir comigo, que os filmes normalmente vão construindo a emoção para explodir no clímax e então vir a conclusão, é o que nós vemos muito bem no filme anterior, Em Chamas. Já A Esperança, por mais que tente seguir essa linha, funciona mais como uma rotina de vários picos. 

Estou lá assistindo a histórinha, aí acontece algo que me deixa até arrepiada, e volta a histórinha, e acontece algo...

Até o fim. O fim foi um pouco decepcionante, por mais que eu já soubesse que ia terminar daquele jeito, porque a gente espera um clímax. Só que no livro não existe nenhum clímax ali no meio da história (A Esperança Parte 1 - primeira metade do livro). Aliás, o que eu sempre escutei falar de quem reclamava do livro, é que ele era muito parado no início. E é. É um livro desequilibrado nesse sentido - uma primeira parte que foca mais nas consequências de tudo o que aconteceu, uma segunda parte com muita ação.

E... o filme é muito bom em mostrar esse aspecto do livro. Desde o início, onde começamos com a Katniss encolhida em um canto sussurrando coisas como uma louca para tentar se prender à realidade, até o fim, onde vemos o Peeta desesperado preso a uma cama. 

"A Esperança Parte 1 é um filme desnecessário" tá falando sério? SÉRIO? VOCÊ LEU A PORRA DO LIVRO? VOCÊ TÁ ACOMPANHANDO A HISTÓRIA?

A Esperança Parte 1 é um filme sobre a evolução da revolta nos distritos, sobre o jogo entre Capital e Distrito 13 tentando manipular o povo conforme o interesse e, mais do que isso, sobre ser um fantoche nesses jogos. Ao ficar longe da arena, ao mostrar os bastidores, nós temos um filme sobre o poder da propaganda e o efeito dela nas pessoas.  



O filme é uma representação pura de temas essenciais da história. Como...

A suspeita. 
Eu lembro de ao ler o primeiro, Jogos Vorazes, ter uma sensação de suspeita de tudo. Eu não sabia se o Peeta estava falando sério. No primeiro filme eu não senti isso e achei que era porque eu já sabia quem era o quê, já em A Esperança Parte 1 foi diferente. Mesmo sabendo de tudo, a sensação de suspeita veio. Uma das marcas desse livro é "Real or not real?", o jogo que o Peeta faz para tentar descobrir o que é verdade ou mentira, e isso é uma sensação constante na trilogia. No que eu confio nessa porra? Então eu gostei do filme pontuar isso.

Visões radicais. 
A melhor parte é quando o Peeta faz a primeira propaganda e as pessoas no Distrito 13 se levantam gritando contra ele. Ou quando nós vemos até o Gale entrar nessa raiva, que é uma marca do personagem. Ou quando as pessoas no Distrito 13 não parecem felizes com o resgate dos tributos dos Jogos Vorazes. Uma das frases marcantes dos livros é “Lembre-se de quem é o verdadeiro inimigo”, porque é muito mais fácil se confundir e gritar contra um rosto do que contra uma ideia. (me senti representada lembrando de todas aquelas discussões absurdas nas eleições)

A manipulação. 
Até o último minuto do filme, quando vemos Coin fazendo um discurso e Plutarch repetindo as palavras (porque foi ele que escreveu o discurso para manipular ao máximo). Adoro também quando a Cressida sai no Distrito 12 falando que começar filmando em frente ao prédio lá da Justiça vai ficar incrível, enquanto na primeira visita da Katniss no Distrito 12 é justamente ali que vemos a personagem. Nós, no fim do dia, somos também o público manipulado, e isso é algo que a Suzanne Collins faz nos livros. O romance, os personagens bonitões (Finnick?) e ação que atraem o público da Capital, por exemplo, também fazem as pessoas gostarem do filme/lembro. 

Katniss no cenário do Distrito 12, depois é onde Cressida acha que é legal filma-la.

É interessante que essa parte da história mais voltada para desconstruir o glamour, é a parte que menos atrai as pessoas. É um metainception brabo. 

OUTRAS COISAS QUE EU QUERO COMENTAR

Aliás, os personagens. Coin, Katniss, Gale, Prim, Effie, Haymitch, Plutarch e até Cressida e seu grupo, são desenvolvidos na história de uma maneira legal. Se eu não estivesse em pleno NaNoWriMo, estaria escrevendo uma fanfic sobre a Cressida fugindo da Capital, que eu não lembro se é citado no livro. 

Eu gostei até do humor, colocado ali nas horas mais paradas para ajudar a ir em frente, mas sem destruir o clima do filme.

 

As partes nos distritos, que nós vemos desde o primeiro, são definitivamente a grande herança que teremos desses filmes no futuro. Eu já falei em algum dos meus milhões de textos sobre Jogos Vorazes aqui no blog, que um dos diferenciais da adaptação de Jogos Vorazes é que eles não simplesmente colocam na tela o que está no livro de maneira fiel, eles aproveitam para também expandir esse universo. E em A Esperança Parte 1 isso se torna mais importante, porque se não teríamos praticamente 2 horas apenas da Katniss batendo com a cabeça na parede (que, se vamos ser sinceros, é o que acontece nessa primeira parte). Tirando a visita dela ao Distrito 8, no resto do tempo são essas cenas que dão alguma emoção.

É por isso que pra o final, onde os picos de emoção deveriam ser o bombardeio e o resgate do Peeta, não fica tão emocionante assim. Não pra mim. Alguém ficou agarrado na poltrona curioso pra ver o que aconteceria? Talvez funcione melhor com quem não sabe o que vai acontecer.

   

Protagonista fora da ação final?

Pensando aqui, esse deve ser um dos poucos filmes onde o protagonista na ação final fica sentado observando. Não é nada emocionante assistir, mas é como o acontecimento final de Convergente (último da trilogia Divergente): eu estou grata que tenha acontecido. Eu estou grata porque a jornada do herói mostrada repetidas vezes nas telas reforça o mito do herói salvador, como se apenas uma pessoa tivesse o poder de salvar o dia. E uma das discussões no nosso post sobre a Síndrome Trinity na representatividade feminina, é que é complicado você ter uma personagem secundária feminina relevante, porque a história "exige" que o protagonista complete sozinho a ação final para completar seu arco de evolução. Jogos Vorazes passa como uma wrecking ball por cima desse trope. Mentira. Mas ele desconstrói, sim, e questiona o funcionamento disso. A cena final de A Esperança Parte 1 é justamente isso: O discurso da Coin afirmando uma vitória, liberdade e nenhum dano, enquanto o Peeta está amarrado em uma cama e, a própria Katniss, nem um pouco melhor. Eles não estão livres, a Katniss não vence e eles estão destruídos. A Katniss não pode completar sozinha a ação final, porque a história é sobre não poder fazer isso.

Enfim, acho que nesse filme eles focaram nesse arco das consequências, estabelecendo o Distrito 13, a Capital e o posicionamento da Katniss no meio desse jogo - a parte de ser um fantoche, o jogo de propaganda, o crescimento da revolução, os traumas. Muito desnecessário, é claro, só toda a base do livro.



No próximo teremos mais ação, com todos os acontecimentos no Distrito 2, aquela preparação como soldado, as lutas na Capital e o momento tenso no Distrito 13 - é MUITA coisa para acontecer em um filme só, eu estava imaginando que eles deixariam só a preparação + Capital para o próximo filme, aparentemente não. Não duvido que já comece no Distrito 2, se o discurso da Coin indica o que eles pretendem fazer em seguida. E acho que faz sentido o Distrito 2 no próximo, porque monta um arco das armadilhas do Gale entre início e final, além de funcionar com a desconstrução do Distrito 13. 

A Esperança Parte 1 não foi um filme exatamente emocionante de assistir, não é aquele empacotado de entretenimento e, talvez, a história poderia ser reconstruída para ser menos expositiva, mas ainda é um filme interessante e importante para aqueles que querem ver - e algumas partes mexeram de verdade comigo, apesar de outras eu quase ter aberto a caixa de pizza que eu e o Paulo levamos para o cinema.

queria colocar essa imagem aqui em algum lugar. armadura <3

Quero assistir A Esperança Parte 1 outras vezes. Quero muito ver A Esperança Parte 2. E provavelmente escreverei mais, mas por hoje é só.

-dana martins



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