American Idiot CCMúsica

Nem só de romance vivem os musicais!

12.9.14Diego Matioli


Nessa gloriosa sexta-feira sobre musicais eu vim falar de um assunto muito sério: o preconceito! Estou cansado de ver as pessoas sendo preconceituosas com eles. O que eu ouço de gente dizendo que musicais são bobos, cantoria sem sentido, romancezinhos ingênuos... e olha, só o que eu posso dizer sobre isso é: você ASSISTE aos musicais ou só olha as capas e deduz o resto? Por que, olha, não vou mentir que não tem romance. O teatro musical bebe e muito do romance, assim como o cinema e a literatura – em que, mesmo uma história de ação ou aventura sempre tem um beijo derradeiro no final. Só por que nessa mídia o beijo é cantado já vira “coisa de mulherzinha”? Vamos amadurecer aí, né, galera!

Abaixo, discorro sobre alguns dos temas mais interessantes que já vi em musicais:

CHICAGO
A história das assassinas Velma e Roxie e seu desvirtuamento em busca da fama talvez seja o melhor exemplo de musical não-romântico que eu conheço, por ser tão conhecido pelo público em geral. Embora exista um jogo de atrações entre alguns dos personagens, as músicas giram em torno do desejo obsessivo de fama(I Can’t do It Alone), da manipulação midiática(We Both Reached for the Gun), da corrupção do sistema carcerário(When You Good to Mama), do culto a celebridades e há até um toque de empoderamento feminino deturpado na música Cell Block Tango, que conta o que levou as únicas assassinas da prisão a cometerem seus crimes em tom de completo cinismo:


SPRING AWAKENING
Esse musical é até romântico, mas está longe de ser de forma típica. A história gira em torno de Melchior Gabor e Wendla Bergman e seu grupo de amigos, que estão vivendo as primeiras descobertas sobre sexualidade e suas identidades – e também sobre as consequências de não se educar apropriadamente estes jovens durante essa época. Há músicas sobre masturbação(Bitch of Living), estupro(The Dark I Know Well), homossexualidade(The World of Your Body), depressão(And Then There Were None), abandono e uma miscelânea de sinfonias sobre se sentir perdido e confuso na vida – e eu afirmo: ouvi-las pode ser extremamente terapêutico. Totally Fucked talvez seja o melhor exemplo disso “há um momento em que você simplesmente está fodido. Não há nem mais um milímetro para ser autodestruído”.


IF/THEN
Minha nova paixão <3. Este, com toda a certeza, é o que mais se assemelha a um romance tradicional, mas eu o coloquei aqui exatamente para questionar a ideia de que romances fofinhos não são nada mais que um poço de breguice piegas. A história de Elizabeth, uma planejadora urbana de Nova York, tem uma reviravolta icônica quando ela precisa escolher entre os apelidos "Beth" e "Liz". A partir daí, a história brinca com a teoria do caos, mostrando as diferenças que essa pequena decisão geram em sua vida. O show fala sobre novas dinâmicas de relacionamento (You Don't Need To Love Me), sexualidade e liberdade sexual da mulher(What The Fuck), do dilema entre relacionamento e carreira, mas acima de tudo, das consequências das nossas ações e como elas afetam as pessoas ao nosso redor. Há uma música, Ain't No Man Manhattan, que descreve isso com uma letra absolutamente genial. "O quanto você ama sua vida é o quanto qualquer vida vale". E é um romance. Um romance bem romântico. E nem por isso precisa se resumir a isso!


AMERICAN IDIOT
O icônico musical inspirado no material mais famoso do Green Day é outro excelente exemplo. A história dos amigos Johnny, Will e Tunny e as desgraças de suas vidas é maravilhosa e desesperadora. Cheia de reflexões sobre degradação familiar(Another Broken Home), abuso de entorpecentes(Give me Novacaine), as consequências de uma gravidez indesejada(Too Much, Too Soon), trafico de drogas(St. Jimmy) e outros tantos assuntos leves e apropriados para uma audiência familiar. Se você, como eu, já era fã da banda, vai gostar também de vê-lo resignificado de forma tão intensa nos palcos. Desta aqui, deixo para vocês um clássico: Boulevard of Broken Dreams, que trata de forma incrível sobre essa desilusão com a vida que nos abate de tempos e tempos, nos fazendo acreditar que não há realmente ninguém que nos entenda ou com quem possamos construir algum tipo de felicidade:


E é só isso? Não. Não é. Há uma infinidade de musicais, todos ricos em temas e reflexões. E é isso que eu gostaria de lembrar as pessoas: a música não deveria ser motivo para tirar a validade de uma obra. Temos filmes românticos que permeiam toda a sorte de assuntos(Metalinguagem e Mortalidade em A Culpa é das Estrelas, autoestima e autoafirmação em Eleanor & Park, etc). Por que isso é constantemente esquecido quando falamos de musicais? Mesmo os musicais MAIS românticos que eu conheço tratam temas incríveis e atuais, e você pode estar deixando passar tudo isso!

Então procure o que há para além da melodia. Você pode se surpreender com o que vai encontrar.

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