Anna Wintour aparência

Vogue, Kim Kardashian e a elitização da cafonice

7.4.14Elilyan Andrade


ca·fo·na 
(italiano cafone, pessoa mal-educada)
adjetivo de dois gêneros
1. [Brasil, Informal] Que ou quem revela falta de requinte, de bom gosto. 
2. [Brasil, Informal] Que ou quem é simplório ou provinciano.
Palavras relacionadas: cafonice, mocorongo, caipira
."cafona", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Quando penso em celebridades cafonas sempre vem a minha mente Kim Kardashian, pois ela é um grande exemplo que dinheiro não é sinônimo de bom gosto e requinte, mesmo assim ela conseguiu um feito desejado por milhares de fãs de moda: ser capa da Vogue. 

A publicação de moda mais importante do mundo sempre foi sinônimo de bom gosto e requinte, com somente os melhores, os mais elegantes e criativos a merecer estampar a capa. Gente como: Anne Hathaway, Cate Blanchett, Michelle Obama, Beyonce, Marion Cortillard, Sarah Jessica Parker, Lady Gaga, Carla Bruni, Angelina Jolie e outros tiveram uma capa da Vogue para chamar de sua e agora dividem espaço com a Kim, mas gente como Miley Cyrus teve a sua negada.

O que torna Kim Kardashian mais digna de uma capa da Vogue que Miley Cyrus? O que significa a capa de Kim? Será que os padrões elitistas da moda estão mudando? 

Kim vs Miley

Kim e Miley Cyrus são bastante parecidas: bonitas, ricas e filhas de pais famosos, conseguiram ser mais conhecidas que os pais. Apaixonadas por moda costumam usar roupas que não as favorecem. Sempre envolta em polêmicas as duas são amadas e odiadas com intensidade. A principal diferença é que, diferente da Miley, Kardashian é autêntica. 

Mesmo o fã mais ferrenho de Miley tem que reconhecer que a mulher que vemos fazendo twerk em premiações e shows é um produto fabricado para vender o álbum e turnê Bangerz. Miley não era ela mesma sendo Hannah, assim como não é sendo a “p0rra loka” atualmente.
assistindo a Miley no VMA

A diaba Anna Wintour, atual editora-chefe da edição norte-americana da Vogue, gosta de autenticidade. Mesmo que a personagem de capa tenha um gosto questionável, polêmico ou só chato mesmo, por ser autêntico e gerar buzz é bastante provável que ganhe a capa. Mas será que autenticidade é a única justificativa de Kim ter uma capa da Vogue?


Um novo padrão de beleza

Em 1990, Anna Wintour conseguiu redefinir o padrão de beleza: saia a magreza doentia de Kate Moss, entrava a magreza saudável de Gisele Bündchen. O tempo passa, o tempo voa, e hoje em dia o padrão é outro. Ser magro ainda é o padrão, mas a magreza agora tem curvas. Curvas de Beyonce, Jennifer Lawrence e Scarlett Johansson são tão desejáveis hoje quanto foram Sophia Loren, Marilyn Monroe e Ava Gardner no passado.

Wintour sabe tanto que curvas são bem vistas e desejadas hoje em dia que não exigiu que Adele e Lena Dunham emagrecerem antes de estampar a capa de sua revista (já em 1998, Oprah teve que perder 20 quilos para ser capa). Tudo bem que Adele e Lena tem editoriais super photoshopados, mas mesmo assim é uma clara mudança no padrão até então vigente. 

Kim, assim como Adele e Lena, não têm o padrão ideal amado por Wintour (leia Gisele), mas é uma autêntica representante do corpo violão: seios grandes, cintura fina e quadril avantajado; suas curvas são tão over que chegam a ser cafonas, plásticas e sem um pingo de elegância, mas mesmo assim são o que homens e mulheres tanto querem. 


Cafona is new cool

Gosto de pessoas cafonas. Cafonas são um sopro de ar fresco no marasmo que anda impregnando a sociedade. Todos nós queremos ser lindos, elegantes e magros, e por isso somos todos iguais. Saudades dos anos 80, onde a ousadia de ser cafona era permitida e as pessoas não tinham receio de mostrar suas personalidades através de roupas, maquiagem e penteados extravagantes.

Algumas celebridades têm a ousadia de viver nos anos 80 em pleno século XXI, como por exemplo, Rihanna, Gwen Stefani e Pink. Elas usam as tendências da moda à favor de suas personalidades, e mesmo que algumas vezes os resultados sejam questionáveis, criam estilos que são referências para milhares de mulheres ao redor do mundo. 

Kim Kardashian vivia intensamente os anos 80; era tanto brilho, excesso de cabelo, cílios postiços, maquiagem e pele à mostra que nunca achei que um dia ela estaria na capa da Vogue, mas Kanye West surgiu na vida de Kim Kardashian e um makeover foi feito. Sinto falta da Kim estilo periguete-rica-estrela-de-reality-show que existia antes do Kanye. Sim, ela era mais cafona antes de conhecê-lo, mas pelo menos era uma cafonice autêntica. O makeover resultou em uma mulher razoavelmente elegante e digna de uma capa da Vogue. Mesmo assim a inadequação de “Kimye” na Vogue é tão grande que resultou em ameaças de cancelamento de assinaturas e piadas. 

As ameaças e piadas vieram de pessoas que esquecem que a Vogue é um produto e como qualquer produto tem que suprir necessidades de um público. “Kimye” na capa não é para agradar os antigos leitores da Vogue, mas sim para atrair novos. Celebridades cafonas que amamos odiar muitas vezes nos induzem a comentar e consumi-los como fast food. Sabemos que eles não têm grande valor nutricional, mas mesmo assim sentimos um prazer culposo ao devorá-los. Anna Wintour sabe disso e por isso colocou Kim Kardashian e Kanye West na capa, esperando grandes resultados nas bancas de jornal e online. 


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