clube de escrita Dana Martins

Clube de Escrita: 4 passos para escrever sem parar

21.7.13Dana Martins


1- Mesmo que "4 passos para escrever sem parar" seja um título meio esculhambado para o post, escreva e vá em frente.

Escrever esse post foi dolorosamente agoniante e acho que levei meses de terapia mental para chegar a esse resultado, mas depois de muito esforço consegui finalizar um texto que consiga transmitir o que eu quero dizer (acho). Cuidado: as palavras abaixo são baseadas em fatos reais.

2- Quando eu travo, tipo agora, eu me pergunto: O que eu quero realmente dizer?

E eu me respondo sinceramente:

Bem, 1- quero falar de escrever lixo, o que é realmente se permitir escrever lixo. Escrever lixo não é só escrever palavra errada ou sem acentuação, é confiar nos próprios instintos e escrever TUDO o que passar pela sua cabeça. É difícil, porque você fica se editando o tempo inteiro, suas próprias críticas interferem com detalhes e você encontra muitos dilemas que te obrigam a ligar o editor para resolver. Às vezes, você esquece o que estava escrevendo, vai reler e aí se dá conta de que o parágrafo já tá grande e sente vontade de editar na hora. Fuuu

Agora, por exemplo, eu perdi o fio da meada e ainda fui no google pesquisar se "fio da meada" se escreve assim mesmo, o que é um grande exemplo de não se permitir escrever lixo.

Se as unhas assim tivessem a minha história eu já tinha terminado de escrever há muuuito tempo.....

A maior parte das pessoas que travam e conversam comigo, até eu mesma, não é questão de não saber o que escrever, é de aceitar que isso que está na sua cabeça é válido pra escrever. "Eu to com uma ideia na cabeça do futuro que não encaixa agora e não to conseguindo escrever agora e..." Vai logo pra o futuro. Se você é mais certinho, abre uma arquivo extra e escreve isso do futuro. Se você lembrou de um detalhe em algo que você já escreveu, reescreve ali mesmo e coloca um aviso pra lembrar que isso acontece lá atrás.

Eu às vezes to terminando uma cena e me dou conta de que está tudo escuro e eu não coloquei o personagem com uma lanterna e ainda narrei ele observando detalhes que não dava para observar, eu coloco algo tipo *colocar lanterna, tirar detalhes e vou em frente. A não ser que eu tenha ideia de algo que eu queira escrever, nesse caso escrevo ali mesmo.

Aliás, hoje mesmo aconteceu uma edição dessa. Eu escrevi:

- Ah, eu sempre soube, Polo. Sempre soube que você não era nada além de um merda. Não ia levar um tempo para você cair nas graças dos doks.

Mas pensei melhor, e coloquei essa depois:

- Ah, só podia ser isso. Você está falando igual a um merda de um doks! Você caiu nas mãos deles, né?

Na versão final você dificilmente vai ver qualquer uma das duas falas. E esse "sempre soube" ainda entrou na fala do Polo logo depois em resposta.



3- SE JOGA NO LIXO, COISA LINDA

Se permita escrever lixo: Um outro detalhe importante que a gente esquece falando de escrever lixo é o "se permita." Você tem que dar permissão a si de escrever merda, de ir além das regras.

"Será que eu faço isso? Será que eu posso mudar aqui? Será que essa ideia é boa? Será que isso faz sentido?"

Sei lá se faz, provavelmente não. Mas se permita escrever isso. Se permita ir além.

Vou dizer algo que eu não gosto de dizer muito:

Você pode desistir da sua ideia e começar a escrever outra no NaNoWriMo.

Você pode totalmente largar uma ideia e não escrever mais mesmo sem terminar.

A questão é que você precisa ter a confiança de que vai terminar outras coisas. Não vale ficar se prendendo a algo que não quer, mas também não vale usar isso para ficar fugindo. Às vezes a pessoa desiste e nem realmente se forçou a escrever, por isso que eu não gosto de dizer.

To com tanto sono que tava procurando foto e nem lembrava mais do que, então vou colocar essa.

Mas vale tudo. Escreve da visão dele, da tia-avó, de Deus, de um dinossauro...  Converse com você mesmo sobre a sua história, converse com os outros, coloque coisas aleatórias e veja o que acontece!

Aliás, um trecho que eu acho genial em um livro é a narração a partir do ponto de vista de uma pedra. Isso aí. No meio de uma história totalmente contada em diários, BOOM, uma pedra narrando os personagens. Não, não é uma história surrealista nem nada, é uma história que se passa no mundo real sem nenhuma magia. Foi só um recurso que o autor usou para transmitir aquela cena.

Se você pensar sobre a sua história:

Minha personagem é meio chata.

Escreva assim na sua história:

Minha personagem é meio chata.

Essa parte é combustível para a edição. É importante até que você seja natural, porque mais tarde quando você estiver frio e olhar para trás vai poder distinguir a voz que te inspirou na história.

Deixa os personagens te guiarem também. Às vezes a gente planeja algo, tipo hoje que era pra o personagem ficar depressivo depois de uma briga. Mas aí ele ficou é puto quebrando tudo. Por acaso, isso tem mais a ver com o que eu tinha planejado pra ele no futuro.

Uma mensagem para... sei lá, para que. Vai que funciona? To tão além da realidade que salvei a imagem com o título "love" porque eu não lembrava sobre o que era. HUAHAUHA

4- AH, A EDIÇÃO...

Esse é o segredo final. Você não tem noção de até onde pode chegar até que termine a maldita história e faça a edição. Na primeira história séria que eu terminei, durante a edição mudou nome dos personagens, tipo físico dos personagens, o jeito deles falarem, surgiu personagem, mudou o final, mudou o início. No fim das contas, ficou mais parecido com o que eu tinha imaginado, só que pra chegar lá eu escrevi muito lixo e forcei a edição.

Não só eu. O John Green, por exemplo, falou que em "Quem é você, Alasca?" a fixação do personagem com palavras finais só surgiu na edição. No início, na história do Harry Potter não eram o Harry, Hermione e Rony os principais.

Para chegar a esse post, além de já vir crescendo a ideia (lembra de quando eu falei disso aqui?) eu escrevi um outro até travar, publiquei a versão inteira para quem estiver curioso, veja aqui.

"Eu já não sei se eu to falando comigo, se eu to falando com vocês, se eu to falando com alienígenas..." isso foi a última coisa que passou pela minha cabeça. E, com isso, encerro o post. Boa noite. 

-dana martins

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2 comentários

  1. "Se você pensar sobre a sua história:

    Minha personagem é meio chata.

    Escreva assim na sua história:

    Minha personagem é meio chata."


    Você já tinha falado sobre isso em algum outro post, e na hora de escrever eu lembrei disso. A primeira frase da minha história é "Eu não sei como começar." HUAHAUHAU

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  2. Estava lendo umas entrevistas de Gaiman sobre escrita que me inspiraram. Ele conta que mantem a motivação quebrando a expectativa que tem sobre o texto ao se convencer de que o primeiro rascunho não é importante, não vale nada e não vai ser lido por ninguém - logo, não há porque se preocupar com ele.

    Em suma, ele se permite escrever lixo.

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