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É hora de dar o segundo passo

19.6.13Michelle


Só de compartilhar dúvidas e críticas, espalhar a consciência de que PRECISAMOS de um foco em comum e ações reais, já é MUITO importante. Espalhe que precisamos nos unir por um objetivo! 

Leia abaixo um texto para entender mais esse problemas e abrir os olhos.

É hora de dar o segundo passo

Acho que não é novidade para ninguém que o país vive um momento raro, com manifestações pipocando em várias cidades. Motivos para revolta não faltam: corrupção, sistema de saúde precário, falta de escolas e ensino sem qualidade, violência crescente, uma lista de impostos gigantesca, uma cifra absurdamente alta dedicada a salários/benefícios de políticos, impunidade, superfaturamento de obras da Copa do Mundo/Olimpíadas... ah, sim e o aumento de 20 centavos da tarifa dos ônibus, a gota d’água que fez transbordar o copo há muito tempo cheio de tantas promessas não cumpridas, abusos e humilhações sofridas pela população.

Se a luta pela redução das tarifas começou como “baderna", ao longo dos últimos dias foi ganhando mais adesões, inclusive daqueles que criticavam a manifestação inicialmente, daqueles que xingavam os manifestantes por causa dos congestionamentos, daqueles que diziam que era bagunça demais por causa de 20 centavos. A mídia, que tanto colaborou para vender a imagem dos "vândalos" e “baderneiros” dos primeiros protestos, mudou rapidinho de opinião quando jornalistas e cinegrafistas começaram e ser presos e agredidos pela polícia. Os arruaceiros foram então promovidos a manifestantes.

Essa mudança de posição ocorreu, em parte, devido às agressões sofridas pelo pessoal da imprensa e, em parte, graças às facilidades tecnológicas que nos permitem fotografar/filmar as ações e divulgá-las rapidamente pela internet, mostrando cenas que jamais serão vistas na TV, nos jornais e revistas. A democratização das informações somada à violência descabida da PM fez com que as pessoas começassem a ver as manifestações de uma outra forma, encontrassem em si mesmas insatisfações a serem mostradas ao mundo, diversas causas pelas quais lutar.

Isso é bom, não?

Mais ou menos. Sem dúvida, ver as multidões tomando ruas e avenidas para protestar e lutar por seus direitos é emocionante. A cada vez que vejo hordas de pessoas ocupando espaços públicos, fico comovida e orgulhosa. Em um país em que nada parece tirar as pessoas de sua apatia, ver o povo nas ruas é realmente empolgante. Claro que, comparada ao número de pessoas que vão às ruas por outros motivos, como, por exemplo, torcedores que reclamam/comemoram o resultado de um jogo ou participantes de um show gratuito, a massa de manifestantes ainda é bem pequena. Quem está fazendo reivindicações é uma parcela ínfima da população. Todavia, em um país em que as pessoas reclamam o tempo todo (na fila da padaria, no banco, na portaria do prédio...) mas não direcionam a insatisfação a quem realmente merece saber, isso já é um avanço.

fonte
O volume de pessoas impressiona e incomoda os governantes, principalmente porque viramos notícia na
imprensa internacional. Não é nada bom para um país que pretende sediar diversos eventos de grande porte ter gente descontente causando tumulto todos os dias, né?

O problema é que agora todo mundo decidiu protestar. Todos na mesma manifestação, mas cada um por um motivo diferente. E, se essa falta de uma reclamação única contribuiu para unir as pessoas e levar cada vez mais gente para as ruas, ela pode também enfraquecer o movimento, pois não se sabe ao certo o que está sendo criticado/cobrado.

OK. Temos o poder. E o que faremos com ele?

A população já percebeu que tem poder. Ótimo. Então é hora de definir claramente o objetivo e lutar por ele. Embora nosso descontentamento não seja só com o transporte público, temos que focar agora na redução das tarifas. Mas não uma redução aleatória, concedida só para calar os manifestantes. Temos que exigir transparência nas contas das prefeituras e do governo estadual, cortes de despesas. Reduzir a tarifa e aumentar o custo de outros itens não adianta nada.

E quero agradecer aos manifestantes que levaram tiro de borracha, spray de pimenta e bomba de gás lacrimogêneo nas primeiras manifestações por mim, por você, por todos nós. Porque é lindo ver milhares de pessoas marchando pacificamente em prol de melhores condições de transporte, mas, infelizmente, paz não dá manchete. Nenhuma revolução é feita sem derramamento de sangue. Triste, mas é verdade. Gandhi que me desculpe, mas eu acho que a não-violência só funciona até certo ponto. Ou vocês acham que a mídia teria mudado o discurso, que os protestos teriam tido o mesmo impacto lá fora, que mais pessoas teriam decidido participar se desde o início tudo tivesse sido “calmo e ordeiro”? (não aguento mais ver apresentador de telejornal e membros do governo usando esses termos com a conotação de “boi manso”).

Então é isso. Se informe, compartilhe fatos, debata, proteste. Faça alguma coisa. Qualquer coisa. Só não finja que não está acontecendo e que isso não tem nada a ver com você.




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1 comentários

  1. ótimo texto! Concordo em grau, gênero e número, esses protestos são uma maravilha, porém, se não tiver nenhuma idéia por trás vai acabar sendo tudo por vinte centavos mesmo, ou pior: pode vir gente se aproveitar da situação pra fazer alguma loucura.

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