agradecimentos brooklyn burning

[Clube de Escrita] Isso está uma m%#@

29.11.12Conversa Cult


Hoje eu vim aqui fazer um extra para falar sobre aquele pensamento que já passou pela cabeça de qualquer pessoa que tentou escrever algo legal: O que eu estou escrevendo está uma m%#@. Isso basicamente acontece quando você está escrevendo e decide começar a pensar, chegando a conclusão de que você nunca colocaria essa porcaria ao lado de um livro da J.K Rowling. Até a Stephenie Meyer faz algo bem feito. Você vai apagar tudo e ler 50 Tons de Cinza. Adeus carreira literária.

Talvez você escreva muito mal mesmo, ou talvez seja só o seu cérebro funcionando. 

Pelo menos eu sempre tive uma imagem meio idealizada de um escritor. Aquele cara pensativo, que vai pra uma cabana isolada, pra fazenda ou pra uma casinha de sapê. Lá ele faz alguma mágica e pronto: eis a nova obra de arte.

Talvez isso seja culpa dos filmes? Lá escritores são só aqueles caras que estão escrevendo sem parar ou com bloqueio criativo (e só aí eles são interessantes). 

Então, por um bom tempo eu achei que era isso escrever uma história. Ou só assim. Ninguém estava falando "Sim, minha filha, isso é fazer um livro. Isso e toda a parte depois." E é agora que você me pergunta, nem que seja por educação, que parte é essa.

E então é agora eu te respondo, seu preguiçoso safado, vai descobrir isso sozinho! Eu tive que me virar!!! Ou não. Talvez eu simplesmente responda. É, eu vou responder...

Essa parte depois é quando você revisa edita revisa edita revisa edita revisa edita revisa (...) até você pensar "É isso!" (e é um avanço extraordinário da fase inicial pra cá). Você não precisa escrever o livro perfeito da primeira vez, o diálogo não precisa estar impecável, a motivação não precisa estar tocante e você não precisa saber o nome do personagem A (alías, se for um livro de suspense, "A" já está perfeito para começar). Pode ser que isso tudo aconteça, parabéns, publique e fique rico. Mas se isso não acontecer, que se dane.

Por quê? Porque você está escrevendo por algum motivo, alguma história que você quer ver acontecer e/ou alguma coisa que você quer transmitir. Então coloque isso no papel.

Roubando na cara de pau o exemplo ótimo do John Green (é, o autor de A Culpa é das Estrelas): é como fazer uma escultura, primeiro você vai lá pegar o barro no puro trabalho braçal, depois você vai empilhar tudo até fazer um "morro" de certa altura. Nesse primeiro momento, para quem quer uma escultura perfeita você vai ter um ótimo monte de barro. Depois disso é que você vai começar a esculpir e esculpir e esculpir. Ou seja, primeiro você baixa o santo e manda tudo pro papel e, a não ser que você tenha incorporado o Shakespeare, provavelmente vai ter um monte de letras esperando uma boa edição.

Eu fiz esse post porque, além de pedir para o seu editor-interno literário ir pastar nessa primeira parte, eu queria mostrar pra vocês a parte de agradecimentos do livro "Brooklyn, Burning" do Steve Brezennoff [Resenha em breve, no CC mais perto de você!]. Com ela dá para ter uma boa ideia de como a história foi melhorada através do tempo (Ah! E Igor, guarda isso que eu vou usar no post respondendo seu comentário!).
Obrigado primeiro, mais uma vez, a Andrew e Edward. Eu acho que nós fazemos um bom trio de crítica literária, musical e culinária. Vamos fazer isso outra vez em breve.
(...)
Obrigado ao Loft, por existir, e o meus amigos das aulas do Loft, os primeiros a lerem isso, provavelmente antes disso valer a pena ser lido. Obrigado aos escritores de Minnesota, que eu tive o prazer de conhecer e de trabalhar durante os últimos anos; é maravilhoso fazer parte de uma comunidade tão forte e presente, especialmente os escritores de literatura para jovens.
Alguns dos primeiros leitores desse livro - em seus primeiros rascunhos: antes mesmo de ter um incêndio - foram do meu grupo de escrita online que durou pouco: Josh Berk, Jonathan Roth, Kurtis Scarletta e Jon Skovron. Eles me ajudaram a ver que duas crianças rodando pelo Brooklyn não era uma história. Obrigado pelas observações, galera.
Obrigado a duas outras comunidades também (...). Como autores conseguem sobreviver sem esse suporte está além do meu conhecimento.
Obs: Esse incêndio que ele fala é um elemento muito importante pra toda história e nem tinha no começo!!!

Autores famosos que melhoraram depois: O John Green já falou que em "Quem é você, Alasca?" a fixação do personagem por palavras finais só entrou mais tarde. No início não havia tanto do romance Gale-Katniss-Peeta em Jogos Vorazes (aliás, a Suzanne Collins já falou que tem problema em cenas com descrição, então ela provavelmente teve um esforço extra reescrevendo essas cenas). No início de Harry Potter, não era nem um trio principal. Patrick Rothfuss, autor de "O Nome do Vento", diz que demora muito a escrever porque no final de cada trecho revisa mil vezes. E por aí vai, todo autor deve ter a própria história de edição.

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7 comentários

  1. Por algum motivo obscuro, me deu uma vontade incontrolável de comentar. Sei lá por quê. Acho que, em primeiro lugar, porque esse post substituiu uma postagem minha que vai ficar pra outro dia (Dana tapando meus buracos like always) e nunca fiquei tão feliz em ler um post substituto antes. Na verdade, eu me vi nessa postagem de hoje. Porque meu editor interno é completamente histérico e racional - deixa que a parte subjetiva fica comigo.
    Eu estou sempre me julgando, achando todo o texto um lixo (os que eu escrevo), etc e tal. Meio que sempre acredito que os outros vão achar isso do meu texto, e talvez achem mesmo, mas queria que eles fizessem comentários a respeito, o tipo de comentário "está realmente uma meleca essa parte, refaz", porque é disso que eu preciso às vezes.
    O problema da maior parte dos escritores é que eles se sentem deslumbrados em excesso com suas histórias, e por mais que sejam críticos, não veem certos detalhes... porque algumas ideias simplesmente não funcionam e nunca vão funcionar. É preciso que alguém de fora esclareça esses pontos cegos. E que esclareça com ênfase, porque senão o autor vai lá repetir o erro em outro livro.... "porque essa ideia era tão legal, só não funcionou aqui, pode funcionar em outro lugar..." E pode mesmo, mas a orientação é sempre boa.

    Enfim, eu ia falar mais coisa, mas eu esqueci. -oi.
    Adorei o post, Dana, beijo, beijo.

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  2. Oi :)

    Já passei por váaaaaaarios momentos de "ai meu deus, tá uma droga". Mas aprendi aqui em um dos posts do Clubinho NaNoWriMo de não encucar muito com isso, já que era só o primeiro rascunho. O problema é que isso é muito difícil de fazer, principalmente quando você é daqueles que sempre quer fazer tudo lindo e perfeito -oi. (E é sério isso, sem querer me achar nem nada. É uma das coisas que mais odeiam em mim).

    O que me fez relaxar mesmo foi uma citação da Veronica Roth, se não me engano, falando que tinha acabado o rascunho do terceiro livro da série Divergent. E o legal é que ela disse que estava muito feliz, já que o que ela gosta mesmo é de revisar a história. E, refletindo aqui, acho que é bem isso mesmo. Porque quando você acaba de escrever o livro e diz "ok, agora vou revisar", você volta para o início do livro e começa a ver o que você escreveu com outros olhos, enxergando detalhes que não havia visto antes. No início foi só uma das coisas que me motivou a continuar escrevendo para o projeto, mas acabou virando uma dica importantíssima para quando eu for escrever outros livro no futuro. OBRIGADO, VERONICA ROTH! -q

    Enfim, parabéns pelo texto o/ (E desculpem pelo comentário curto hoje. Ontem estava saindo do PC e fui inventar de comentar na resenha do Paulo. O problema é que eu tinha um monte de coisa pra faar e acabei indo dormir quase meia noite, acordando no maior estilo zumbi hoje de manhã... enfim).

    Bom, é isso... Abraços!

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    1. (O comentário nem ficou tão pequeno. Eu disse que faço sem querer D: Me internem.)

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  3. Oi Conversa Cult, QUE SAUDADE ESPETACULAR QUE EU ESTAVA DE VOCÊS.
    Eu sei, tô meio sumida da net, mas sempre que posso passo por aqui.
    Adorei o post e confesso que já passei por isso mil vezes nas minhas fics, nos meus textos de profunda extremidade (MENTIRA, GENTE).

    Acho que filmes passam uma imagem muito mentirosa sobre autores e suas criações... Tudo bem que existem os Kafkas da vida (que escreve uma história, que se tornou clássico, em cinco horas), mas acho que a maioria deles é normal! Que odeiam o que escrevem logo de cara... Alguns autores tem vergonha de algumas obras iniciais, sabiam disso? (Cito: Guimarães Rosa e Saramago)

    Esse é um problema que TODO autor, e não excluo ninguém, passa. Uma vez uma amiga minha, que diz gostar muito dos meus textos, disse-me para para publicar uma coletânea, ora que bondade dela dizer que meus textos são tão bons a ponto. Daí eu falei para ela que não e blá, blá, blá, mas daí ela me disse uma coisa que serve, até, como conselho:

    Escreva, se não se sentir confortavel, peça para alguém ler, se não gostar, melhore. Leia, releia, apague, edite, escreva de novo, no final vai sair algo realmente bom!

    A coisa é: Não deixe de escrever, não importa o quão 'merda' for seu texto, não deixe de fazê-lo.

    Beijo na ponta do nariz de cada um, seus lindos.

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  4. Que ótimo é acordar todo o domingo e vir ler os textos de vocês sobre escrita ^^
    Estão chegando as férias, então vou me empenhar muito mais para escrever (até porque já prometi pros meus colegas que eu faria isso, então se eu quiser sobreviver até o fim do mundo, vou ter que escrever mesmo que seja na marra! kkk).
    E pode deixar que eu estou guardando cada dica que vocês estão postando aqui. Quando começar a escrever "seriamente" eu trato de comentar mais os meus "avanços" aqui rs

    Igor Snow

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Esse texto veio de encontro ao que tenho pensado ultimamente. Foi um grande achado ter clicado naquele RT ao acaso,e vir parar nesse blog.

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