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[Resenha] Jogos Vorazes, filme

23.3.12Conversa Cult

por Dana Martins


- Filme: "Jogos Vorazes"
- The Hunger Games (2012)
- Adaptação do livro "Jogos Vorazes"
- Direção: Gary Ross
- Atores: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks
- Ação/Drama/Ficção Científica/Distopia - 12 anos - 144 min.
- Nos cinemas brasileiros a partir de 23 de março de 2012
OBS: A autora do livro, Suzanne Collins, ajudou na criação do roteiro.




Mini-crítica: 
"Jogos Vorazes" , o filme, conta a história de um mundo em que 12 distritos são subordinados a uma Capital, trabalhando quase que como escravos para que essa minoria viva bem. Depois de uma tentativa de rebelião, foram criados os Jogos Vorazes, um reality show em que 24 tributos são colocados em uma arena e só um sai vivo. Esses tributos são um menino e uma menina sorteados em cada um dos 12 distritos. Porém, esse sistema de opressão trabalha no limite: dá muito poder aos tributos (ao colocá-los como queridinhos diante das câmeras), mas ao mesmo tempo precisa conter esse poder. O filme mostra exatamente uma edição de Jogos Vorazes em que esse poder vai longe demais.

Um outro filme do estilo, como "Gamer", é mais cru e mesmo que faça alguma crítica ainda tem um foco forte nos personagens. "Jogos Vorazes" tem mais o foco na crítica, mas ao mesmo tempo por causa da quantidade de fatos acaba não fazendo uma crítica tão consistente. O resultado disso é uma aventura estranha que acontece em um reality show tratando o tema de forma mais suave e onde o foco é mais no mundo do que nos personagens. Muito indicado para quem gosta de ficção cientifíca, cenários futuristas, da ideia de um reality show de sobrevivência baseado em lutas e ainda quer saber mais sobre o mundo que Suzanne Collins começou nos livros.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Antes de começar, eu acho importante deixar claro que eu li os livros e, como vocês viram ao longo do nosso Centro de Treinamento, é uma história que eu gosto muito e tenho muita familiaridade. O que isso significa? Que a minha visão não pode alcançar de todo o que quem não leu vai entender (por enquanto). Porém, isso não significa que eu não tenha tentado.
*depois eu acabei percebendo que quando eu falo "mais superficial" e "menos violento" meu ponto de referência é o livro, porque para quem não leu é, sim, violento e bem acabado. Só quem leu que observa a profundidade por trás de tudo e percebe o que está faltando. E, como eu digo aqui, eles ainda podem aprofundar mais.

O filme consegue criar um cenário futurista e bem detalhado, que representa bem os três planos da história: o contexto da Capital e do país, representado por cenas do presidente, das pessoas na Capital e nos distritos. Depois o Jogos Vorazes como um programa que é, encaixando os comentaristas e a equipe que manipula a arena enquanto o reality show está rolando. E, por último, a personagem que acaba encabeçando essa história, a Katniss.

Entre roladas no barranco e curtições, o "Jogos Vorazes" tem o ritmo um pouco mais acelerado devido a quantidade de informações, que podem acabar deixando as coisas um pouco superficiais. O filme trabalha com os fãs ao mesmo tempo que ensina a quem não assistiu e lida com a censura americana paranóica. Ou seja: está cheio de detalhes que só os fãs vão entender o significado na cena (como o gato), acaba pegando mais um clima de preparação para os próximos filmes e a violência é praticamente mandada embora.

É um filme mais fácil de se gostar e entender do que o livro, já que a maioria das críticas são jogadas na cara e não há um maior desenvolvimento e maturação dos casos. Porém, se você leu os livros, vai precisar usar a cabeça para entender a perspectiva do filme.

O livro em si, apesar de trazer questões fortes como crianças se matando de um modo selvagem, não é tão violento assim. Já o filme, menos ainda. A maioria das mortes são claramente escondidas (você vê que vai acontecer, até escuta e vê o sangue, mas não assiste de fato). Ou a luta final entre Katniss e Cato, que é escuro, com vários cortes e uma filmagem próxima que dá movimento, mas não é como se você realmente estivesse acompanhando a luta. Um dos exemplos mais marcantes de como o filme faz essa adaptação é em uma cena em que a Katniss é encurralada por uma outra garota*, em que no livro a outra explica melhor como pretende matá-la dolorosamente, enquanto no filme nós vemos a ponta de toda essa loucura da personagem (muito bem expressa pela atriz) e não uma verbalização disso. Então, não vá apenas pela ação.
*Essa, aliás, é uma cena fiel em detalhes como posição, algumas palavras, mas sofre cortes por causa do tempo e dessa censura sobre a violência.

A trilha sonora entra aqui por um motivo simples: antes da estreia havia a maior agitação por causa da música da Taylor Swift, clipe e cd de trilha sonora sendo vendido. E, no filme, a única música que toca é realmente a da Taylor Swift, "Safe and Sound" - e como segunda nos créditos. De resto, é um instrumental simples, mas que quase ganha vida própria na história, embalando as situações na medida certa. Sem falar que, assim como o figurino e a construção de cenários, faz a mesma combinação entre passado e futuro.

E, algo que eu não queria deixar de comentar, é como é a filmagem do filme. Apesar de ser um filme grande e com tudo para ser dentro do padrão, ele acaba experimentando mais as possibilidades. São várias as vezes que a imagem (ou até a música) te colocam na situação do personagem. Seja para mostrar o nervoso da Katniss ao entrar em uma entrevista (todo mundo falando, falando demais, muita gente, muita gente olhando), seja a Rue ouvindo aquela música. Ou a imagem fora de foco ou tremida, como se você estivesse ali no corredor junto com eles. Nem todos gostam (e estão acostumados) a um plano subjetivo, mas eu gostei da forma como o filme explora isso.

Se eu não tivesse lido o livro...

Se não existisse o livro, eu provavelmente continuaria gostando do filme, porque consegue emocionar, embalar e tem uma preocupação a nível de detalhes. Apresenta o tema de modo superficial, sim, o que seria o ponto negativo, mas ainda está (quase) tudo lá para quem quiser desenvolver. E eu não duvido nada de que eles mesmo façam isso nos próximos filmes. Só os mais exigentes com conteúdo é que vão tropeçar (o que fica claro nas críticas que saíram). Além disso, falando de qualidade, está acima da maioria lançada ultimamente. É um filme estranho-original que vale a pena assistir.
*não me atrevo a dar uma nota nessa visão, ainda não.

A minha única ressalva quanto ao filme (decididamente um ponto negativo), é que às vezes os efeitos utilizados são muito ruins (estou dizendo às vezes, porque na maioria eles acertam). É algo visível e quando aparecer você vai saber exatamente do que eu estou falando. É uma pena...

Mas como eu li o livro...

Agora, como quem leu o livro, eu dou 5 conversinhas (nota máxima). Não só porque eles se preocuparam em fazer uma adaptação fiel e conseguiram reproduzir em imagens o que eu imaginava (apesar disso ser pessoal - não me pergunte por que eu imaginava os bestantes daquele jeito), o filme vale porque eles criaram um complemento para a trilogia. É quase como se a Suzanne Collins decidisse escrever um novo livro que conta tudo em terceira pessoa e de outra perspectiva, trazendo mais detalhes ao que já conhecemos.

O "quase" é porque, infelizmente, há algumas modificações feitas na história original para facilitar no tempo e construções de significados (como de onde veio o mockingjay/tordo ou a questão da perna do Peeta, que foi mais por causa de tempo). Contudo, na maior parte o filme trabalha mais com omissões do que com modificações. O Haymitch não aparece na cena da colheita, mas não significa que ele não estivesse lá. Os ajudantes do estilista dela não aparecem realmente, mas não significa que não tenha acontecido tudo aquilo que lemos no livro. O mesmo serve para a cena da caverna (ou deveria dizer toca?). Como eu disse, é uma nova visão (na verdade, a Suzanne Collins também disse isso). E se ela fosse escrever um livro assim, como o que eu imaginei no parágrafo anterior, ela não repetiria todos os fatos exatamente, faria um resumo com os principais, que é exatamente o que o filme faz (novamente: o que não significa que não tenha acontecido). Se você reparar, a maioria das coisas e até características dos personagens (tipo o Peeta mais amável e Prim fofinha) que não ficam claras, fazem parte de uma perspectiva da Katniss, que realmente não é o foco do filme.

Só uma pergunta: quantas adaptações são fiéis e ao mesmo tempo acrescentam na história que você conhece? Os primeiros filmes do Harry Potter, por mais próximos que sejam dos livros, são só uma versão em imagens do que conhecemos. Ou os do Percy Jackson e Eragon, são uma picotação em imagens distorcidas do que nós já vimos. Millennium, tanto o americano quanto o sueco, são em termos de adaptação quase tão bons quanto "Jogos Vorazes", mas eles são menos que o livro. O filme "Jogos Vorazes" é, também, menos que o livro, mas só porque ele também está acrescentando uma nova perspectiva e mais detalhes.

Se não é pelo filme em si, "Jogos Vorazes" vale a pena porque traz uma nova visão sobre a relação filme e livros, não um sendo uma adaptação barata do outro, mas uma expansão do que nós já conhecemos.

>>>Extras: "Jogos Vorazes" e o Oscar
Há mais de um ano, quando começaram a falar sobre o filme, saiu a data prevista para a estreia: março. E logo eu vi um comentário falando que esse era um período estratégico para lançar filme, não só porque não é uma temporada de grandes estreias (ou seja, sem concorrência), mas também porque está na "poeira do Oscar". Quando chegar janeiro do ano que vem, o filme já vai estar quase (quase) esquecido e se não houver indicação as pessoas não vão ter tanto ataque, é uma forma de se livrar de críticas.

Aqui no CC nós também passamos fevereiro inteiro falando de Oscar e não tinha como eu não pensar nisso e tentar colocar "Jogos Vorazes" ao lado dos grandes títulos que se colocaram como obra de arte na premiação. A conclusão foi: o filme, decididamente, não está entre eles. Não está porque é um filme mais jovem (e coisa de jovem é sempre criticada) e porque trabalha com fantasia e ficção cientifica, estilos que sozinhos já caminham na rota alternativa. A crítica cruel que o filme poderia trazer foi revestida de caricaturas e, como eu já falei umas mil vezes, é meio superficial, o que deixa o filme ao lado de um concorrente do Oscar não premiado, "Histórias Cruzadas", porque é comercial demais. Se somar todos esses pontos "negativos", acho difícil o filme entrar como concorrente em potencial. A não ser que 2012 seja o apocalipse dos filmes ruins.


Classificação:
(5/5 conversinhas)

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6 comentários

  1. "apocalípse dos filmes ruins" kkkkkkkkkkkkkkk
    tomara né...
    Achei que cortaram coisas essenciais , e ouso dizer que o romance de Katniss e Peeta não teve a emoção que eu esperava,por ter lido o livro antes.
    Claro que como foi uma adaptação, eles iriam modificar algumas coisas, e o ruim de ser tão familiarizada com a obra, é que até as pequenas modificações, acabam desanimando.
    Eu daria nota 9. Realmente alguns efeitos ficaram a desejar (o fogo na roupa deles).
    Eu não imaginava os bestantes daquela forma (eu imaginava uma espécie de lobo).
    Claro que os produtores quiseram "suavizar" a violência, mas este era exatamente o "ponto chave" do livro: a violência na arena, e isso ficou a desejar tmb.
    No mais , foi um bom filme, isso se os fãs não se apegarem aos detalhes do livro.
    bjos

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  2. Caraca, que crítica maneira, meio que grandinha, expressou tudo sobre o filme! Ainda não assisti, pois vou ver segunda, mas tenho as mesmas expectativas.

    Abraços, Joshua - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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  3. aha, você assistiu novamente , que inveja.
    Menina, eu pensei que eu era velha e antiquada demais, porque gizuis, me deu raiva daquele povo todo gritando e não dava pra ouvir nada.
    Nuss, e pra piorar, antes do filme começar, eu quase fui expulsa do meu lugar shuahushauhsha
    o pessoal do fã clube que sentou lá em cima (eu cheguei antes dele) perguntou se eu não me incomodava de sair do meu lugar o.O só olhei pra cara da menina e falei: Oi? é claro que me incomodo...kkkkkkkkkkkk
    Mas a menina só faltou me tirar a tapas...rs o amigo dela ficou gritando o tempo todo e eu achei que ia sair de lá surda rs enfim, pré-estreia é muita loucura, e eu não tenho mais idade pra isso rs
    Tirando isso, curti pouco o filme, analisando em casa e conversando com minha irmã, foi que eu pude passar os detalhes na minha mente e processar tudo e UAU, nota 9 com toda certeza.
    Eu sabia que eles iriam cortar a maioria das mortes, mas fiquei surpresa por terem seguido a risca a ordem, e a forma como os tributos morreram. Isso me agradou bastante, claro que eu imaginava as cenas mais sangrentas , mas como um filme juvenil, não decepcionou.
    A cena do Cato achei que foi boa, tudo bem que no livro a morte dele é mais detalhada e sofrida, mas como eu disse eles quiseram suavizar as coisas.
    Ah mas quando esse filme sair em DVD (vai demorar) vou assistir várias e várias vezes, como fiz com os 3 filmes do Senhor dos Anéis, só para sentir todos os detalhes novamente.
    bjos

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  4. Os filmes sempre tiram algo do livro. Creio que por uma questão de tempo mesmo. Mas eu adorei o filme! Especificamente algumas coisas me chamaram atenção: o contraste de cores entre o distrito 12 e a Capital, o momento em que Katniss olha para a câmera fazendo sinal para o distrito 11 na morte de Rue(fiquei muito emocionada) e a fantástica atuação de Jennifer Lawrence. Adorei a resenha!

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  5. a direção do Gary Ross ficou muito foda mesmo! foi isso mesmo: ele podia ter caído no óbvio, mas não - ousou em vários momentos e alternou a narrativa de modo bem convincente. curti mil!

    sobre a trilha sonora: também achei sensacional! entoa o filme de uma maneira leve, em cenas-chaves, e pesada em cenas que realmente precisam disso, tudo sem sair de sintonia entre si. perfeita!

    e Safe & Sound não é a única música que toca no filme: Abraham's Daughter, do Arcade Fire, é a primeira música que toca quando começam os créditos. e aliás, ela é a única do álbum 'Songs From Distric 12 and Beyond' que pode ser indicada ao Oscar de Melhor Cação Original, já que, pelas regras da Academia, para uma música ser indicada aqui ela precisa ou tocar durante o filme ou ser a primeira durante os créditos. ou seja, só sobrou AD mesmo. uma pena, Safe & Sound tinha potencial pra vencer até, já AD eu não vejo nem sendo indicada... :(

    e falando em Oscar, só vejo potencial pro filme chegar a Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Maquiagem e Melhor Figurino (essa aqui apelando um pouco...). iria morrer se Gary Ross e Jennifer Lawrence fossem indicados - aliás, houve um buzz enorme antes do filme estrear sobre a possível indicação dela ao prêmio da Academia por THG -, mas acho improvável, pois, por mais que THG seja um blockbuster ousado, sem usar artifícios clichês, e ter um tema bem original, os velhinhos da Academia dificilmente irão simpatizar com o longa. uma pena. :(((

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  6. Tenho que concordar com tudo que a Margô disse, achei maravilhoso o filme. Eu entendo que eles não tenho seguido 100% o livro na parte, por exemplo, das mortes nos jogos porque acho que a censura ia ter que subir e a realidade é que tem muita criança que não ia poder ver o filme e isso ia prejudicar o "sucesso" do mesmo.

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